XV Congresso Catarinense de Cardiologia

Divisor de Título

Evolução clínica de comorbidades após cirurgia bariátrica

INTRODUÇÃO: Sobrepeso e obesidade são definidos como acúmulo excessivo de gordura corporal que podem afetar a saúde. A obesidade é considerada uma doença crônica, multifatorial e associada a diversas comorbidades e prejuízos severos na qualidade de vida25. A prevalência da obesidade mundial mais que dobrou desde 1980 e em 2014 cerca de 600 milhões de pessoas eram obesas. No Brasil, mais da metade da população apresenta sobrepeso, sendo 17,9% da população já considerada obesa17. Para combater essa doença, o tratamento clínico é a primeira abordagem e contempla a implementação de dietas especiais, psicoterapia, atividade física e farmacoterapia17. No entanto, a terapia clínica para a obesidade, especialmente para obesidade grave (índice de massa corporal superior a 35kg/m²), tem sucesso limitado à curto prazo e quase inexistente à longo prazo em comparação ao tratamento cirúrgico18. O desfecho satisfatório na abordagem cirúrgica da obesidade deve contemplar, além da perda de peso, uma alteração significativa nas comorbidades preexistentes e na qualidade de vida dos pacientes. MÉTODOS: Foram selecionados pacientes submetidos à cirurgia de gastrectomia vertical para responder um questionário sobre comorbidades presentes antes e após o procedimento. RESULTADOS: Foram avaliados 47 pacientes, dos quais 76,6% (n=36) eram do sexo feminino e 23,4% (n=11), do sexo masculino. A média de idade foi de 37,3 anos. A média de peso e de IMC antes da cirurgia foram de 121,05 kg e 43,06 kg/m², respectivamente. A média do excesso de peso corporal dos pacientes foi igual a 51,01kg, um equivalente a 40,93% de excesso de peso corporal médio. Observou-se no pós-operatório que 77% (n=20) dos pacientes que tinham hipertensão arterial obtiveram resolução total da doença e 38,4% conseguiram manter o controle da hipertensão com um menor número de medicamentos anti-hipertensivos. Entre os portadores de diabetes mellitus tipo 2, 71,4% (n=5) obtiveram resolução total da doença e 28,5% (n=2) conseguiram reduzir a medicação para controle glicêmico. Daqueles que possuíam dislipidemia, 92,3% (n=12) não apresentaram mais tal comorbidade e entre os que sofriam da síndrome da apneia obstrutiva do sono, 57,1% (n=12) não relataram mais sintomas da doença. Dos indivíduos que tinham algum tipo de problema articular, 61% (n=14) conseguiram extinguir essa enfermidade sem mais necessidade do uso de medicações e 34,7% (n=8) conseguiram reduzir o número de analgésicos e outros medicamentos. Por fim, dos pacientes que apresentavam transtorno depressivo antes da cirurgia, 39,1% (n=9) reduziram o número e/ou concentração de medicações antidepressivas e 48% (n=11) não sofreram mais da doença. CONCLUSÃO: Os resultados reforçam os benefícios gerados pela gastrectomia vertical. A qualidade de vida foi impactada pela redução do excesso de peso e pelas alterações metabólicas com a resolução de grande parte das comorbidades avaliadas.

Autores: GUILHERME PEDROSO VARGAS, Giselle Abigail Mendes