XV Congresso Catarinense de Cardiologia

Divisor de Título

Aplicação do UKPDS Risk Engine na análise do risco cardiovascular em um centro de atenção interdisciplinar em diabetes

Introdução O Diabetes mellitus tipo 2 (DM2) é um distúrbio metabólico proveniente de defeitos na ação e secreção de insulina que eleva os níveis glicêmicos. Existe uma importante correlação entre o DM2 e doenças cardiovasculares, além de outras doenças crônicas como obesidade, hipertensão arterial e dislipidemias. Este estudo teve como objetivo a estratificação do perfil de risco cardiovascular (RCV) da população atendida pelo Núcleo de Atenção em Diabetes (NAD) de Blumenau-SC. Métodos Foi realizado um estudo quantitativo do tipo longitudinal a partir de dados de prontuário de 375 pacientes atendidos no NAD entre fevereiro de 2012 e julho de 2015. A estratificação do RCV foi realizada pelo método do UKPDS Risk Engine. Os pacientes foram classificados em grupos de baixo risco (< 10%), intermediário (? 10% e < 20%) e alto risco (? 20%) para ocorrência de eventos de doença arterial coronariana (DAC), DAC fatal, acidente vascular cerebral (AVC) e AVC fatal em 10 anos. Este estudo está vinculado a um projeto de pesquisa aprovado pelo Comitê de Ética na Pesquisa de Seres Humanos da FURB sob o número C.A.A.E 25693214.9.0000.5370. Resultados A maioria dos pacientes eram mulheres, com média de 59,7 ± 11,4 anos de idade e 13,9 anos de tempo de diagnóstico de DM2. Quanto ao tabagismo, 11,5% são fumantes, 21,9% são ex-tabagistas e 53,3% nunca fumou. Houve maior prevalência de sobrepeso em homens (31,5%) e de obesidade em mulheres (72,9%). A hipertensão esteve presente em 52,8% dos pacientes, somente 40% da população analisada tinha os níveis de hemoglobina glicosilada (HbA1c) dentro da meta terapêutica. As médias de pressão arterial sistólica tiveram significância estatística entre os grupos analisados para todos os perfis de eventos de RCV (p<0,05). A prevalência para alto risco de DAC e DAC fatal foi maior nos homens (p<0,05). O risco alto para AVC foi maior nas mulheres (p<0,05). A diferença de idade e de tempo de diagnóstico do DM foram significativos para elevação do RCV em todos os perfis analisados (p<0,05). O tabagismo foi significativo para o alto risco de DAC e DAC fatal na população em estudo (p<0,05). Dados referentes a HbA1c foram significantes para alto risco de DAC e DAC fatal (p<0,05). Todos os perfis de risco calculados apresentaram diferença significativa em relação aos níveis de HDL colesterol (p<0,05). Conclusão Com os resultados obtidos conclui-se que grande parte dos pacientes apresenta alto risco de desenvolver DAC ou morte súbita por DAC em 10 anos. Pode-se também estabelecer que os pacientes com DM2 apresentam como principais fatores de risco cardiovascular modificáveis os níveis de HbA1c, hipertensão arterial sistêmica, HDL colesterol, além do hábito do tabagismo. É fundamental conhecer o perfil de risco cardiovascular dos pacientes para que se possa adotar medidas que otimizem o controle das variáveis, visando aumentar a sobrevida dos pacientes, diminuir o risco de eventos cardiovasculares e os custos ao sistema de saúde.

Autores: NELSON EDUARDO MOURA, Andréa Augsburger de Moura, Luis Guilherme Gomes Geraldini, Laís Sydor Victor, Carlos Roberto de Oliveira Nunes, Fulvio Clemo Santos Thomazelli