XV Congresso Catarinense de Cardiologia

Divisor de Título

Hipercolesterolemia Familiar na adolescência: Relatos de casos e estratificação de risco cardiovascular

Introdução: A hipercolesterolemia familiar (HF) é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como problema de saúde mundial, com elevada associação com a doença arterial coronariana (DAC) prematura. Geralmente, o defeito primário é decorrente de alterações no gene LDLR, que codifica o receptor das lipoproteínas de baixa densidade (LDL-R), ou ainda nos genes da apolipoproteína B-100 (APOB) e da Pró-proteína Convertase/Kexina tipo 9 (PCSK9). Com poucas manifestações clínicas, a forma mais eficiente de triagem tem sido o rastreamento em cascata, ou seja, o rastreamento dos parentes de primeiro, segundo e terceiro grau de pacientes com diagnóstico clínico e/ou genético da doença (caso-índice). Descrição do caso: Foi realizado o diagnóstico genético de HF em três adolescentes (N.F.B; A.F.B e N.K; 11,7 ± 3,0 anos) com LDL-c elevado (acima de 150 mg/dL) e histórico familiar de DAC. Amostras de sangue foram coletadas, após jejum de 12 h, para as análises genéticas (extração e amplificação de DNA leucocitário e sequenciamento para pesquisa da mutação no LDLR, utilizando o aparelho Hitachi 3500, AB Applied Biosystems®) e medida do perfil lipídico sérico com métodos laboratoriais de rotina. Mutações silenciosas, ou seja, que não culminam com a troca do aminoácido, foram identificadas no gene LDLR das adolescentes N.F.B (Exon 8, 1182 T>A; Exon 13, 1959 T>C e Exon 15, 2232 A>G) e A.F.B (Exon 2, 81 C>T; Exon 10, 1413 A>G; Exon 12, 1773 C>T), as quais não excluem o diagnóstico de HF, tendo em vista a possibilidade de mutações em outros genes, como da APOB e da PCSK9. Na adolescente L.K, foi detectada uma mutação no Exon 4 (666 C>T), levando à troca do aminoácido Cisteína por um códon de parada. A partir do caso-índice L.K., realizou-se o rastreamento em cascata nos parentes de 1º, 2º e 3º grau. A mutação (666 C>T) também foi identificada na mãe (281 mg/dL de LDL-c, 45 anos, hipertensa e tabagista), tio (276 mg/dL de LDL-c, 41 anos, tabagista e hipertenso) e no tio-avô (280 mg/dL de LDL-c, 77 anos, histórico de DAC prematura) da paciente. A estratificação do risco cardiovascular nesses pacientes mostrou que todos eles apresentaram alto risco de desenvolver doença cardiovascular prematura. Conclusões: Através do estudo pode-se concluir a importância do diagnóstico precoce de HF em crianças e adolescentes. Além disto, também se observou a relevância do rastreamento genético em cascata, que foi de extrema importância para a detecção de mutações nos familiares, confirmando, assim, o diagnóstico para HF nessas pessoas.

Autores: HELOISA PAMPLONA CUNHA, Marina Vieira de Oliveira, Elizandra Campos, Sabrina Giovana Rocha, Marcela Freitas Medeiros, Thaís Cristine Marques Sincero , Edson Luiz da Silva