XV Congresso Catarinense de Cardiologia

Divisor de Título

Mixoma atrial de localização perivalvar mitral: relato de caso

As neoplasias cardíacas primárias têm incidência menor de 0,02% 1,2,3 e o mixoma cardíaco (MC) é o tumor primário mais comum (50%), mais frequente nas mulheres.4 A localização mais comum do MC é na fossa oval e raramente nas válvulas cardíacas.5,9 Quando acomete as vávulas, o folheto anterior da valva mitral (VM) é o local mais acometido.6 Os sintomas principais do MC da VM são cardiovasculares (36,7%) e cerebrais (30%).6,7,8 O ecocardiograma transtorácico (ETT) e/ou transesofágico (ETE) são a primeira escolha de exames e a Ressonância Magnética (RM) pode ser usada como ferramenta diagnóstica complementar.9 Relatamos um caso atípico de mixoma de localização perivalvar mitral o qual, devido a raridade do caso, torna-se importante para discussão. Foram através das imagens do ETT e da RM cardíaca que se aferiu a hipótese diagnóstica principal e também a conduta terapêutica cirúrgica. Mulher, 55 anos, branca, do lar, há 4 meses fez ETT para realizar cirurgia bariátrica, mostrando um tumor atrial. Internou para investigação, negando sintomas. Era hipertensa e obesa grau III. Negou história familiar de cardiopatia. A pressão arterial era de 180/140mmHg, precordio inalterado e a ausculta cardíaca com ritmo regular, bulhas hipofonéticas e sem sopros audíveis. Demais aspectos do exame físico inalterados. O eletrocardiograma era normal. O ETT mostrava massa tumoral de 2,2 X 2,4cm de diâmetro, aderida ao folheto anterior da VM, sem gradiente obstrutivo, com fração de ejeção preservada do ventrículo esquerdo. Coronariografia normal. Realizou RM cardíaca: massa aderida ao folheto anterior da VM, com contornos lobulados, medindo 26 x 20 mm em seus maiores diâmetros, móvel, com discreto prolapso para o anel mitral na fase diastólica, médio sinal em T1 e T2, com as sequências em realce tardio evidenciando realce heterogêneo. Realizou a cirurgia no 30o dia da internação. A atriotomia esquerda mostrou uma massa de 4 cm no maior diâmetro, aderido ao plano do anel da VM, sem comprometimento da valva. Foi realizada a exérese da massa, com manutenção da VM. O histopatológico demonstrou ausência de malignidade, sugerindo neoplasia vascular e a imunohistoquímica confirmou o diagnóstico de mixoma. O ETT do 7o PO mostrou incompetência mitral discreta e a paciente teve alta hospitalar no 10o dia. Segue em acompanhamento ambulatorial. Este caso clínico é singular pela localização anatômica rara e à paciente ser assintomática. O tamanho de 4 cm do tumor em seu maior diâmetro é um dado encontrado compatível com os estudos, os quais mostram um tamanho em média de 2,96 +- 1,58cm. Pode-se observar que o ETT e a RM mostraram um tumor aderido ao folheto anterior mitral e no transoperatório foi constatada a inserção peri-valvar. É importante lembrar sobre a importância da realização dos exames de imagem com brevidade para que o tratamento cirúrgico seja realizado logo, já que os MC de VM estão relacionados a sintomas cardiovasculares e cerebrais.

Autores: VANIELI PEREIRA CAMARGO, Hugo Leonardi Baldisserotto, Evandro de Campos Albino, Sérgio Lima de Almeida, Paulo Romandini