XV Congresso Catarinense de Cardiologia

Divisor de Título

Arco aórtico à direita com divertículo de Kommerell e artéria subclávia esquerda aberrante associado a síndrome coronariana aguda.

Introdução: A variação anatômica do arco aórtico à direita é uma alteração congênita rara, presente em apenas 0,05% da população, sendo sua etiologia ainda desconhecida. Essa alteração anatômica pode estar relacionada com alterações dos vasos que saem do arco aórtico através da associação com a deleção do cromossomo 22q11. Geralmente essa variação é assintomática, mas pode causar compressão de estruturas mediastinais, aneurismas e doenças ateroscleróticas dos vasos que emergem do arco aórtico. Método: Paciente de 53 anos, masculino, hipertenso e dislipidêmico, admitido no pronto-socorro com quadro de síndrome coronariana aguda (SCA), sem histórico de eventos isquêmicos prévios. Referiu dor torácica progressiva, de início súbito, desencadeada ao esforço, em queimação, acompanhada de sudorese e náuseas. Ao exame físico apresentava diferença de pressão e assimetria de pulsos nos membros superiores. Eletrocardiograma inicial sem alterações isquêmicas. Devido à hipótese de dissecção aórtica, foi solicitada angiotomografia de tórax. O exame mostrou ausência de sinais de dissecção mas revelou um arco aórtico à direita associado ao divertículo de Kommerell e subclávia aberrante (hipoplásica no seu terço proximal) com circulação colateral na parede torácica entre as artérias intercostais e subclávia esquerda, condizente com os achados ao exame físico. Para confirmação de SCA o paciente foi encaminhado para à cineangiocoronariografia, que confirmou o diagnóstico de doença coronariana multiarterial. Como tratamento foi indicado cirurgia de revascularização do miocárdio pelo fato do paciente possuir um Syntax Score elevado e um Euro Score baixo. Discussão O arco aórtico à direita foi relatado pela primeira vez por Fioratti e Anglietti em 1763. Essa variação anatômica se mostrou incomum na população (0,05%). A classificação mais usada para essa alteração é a de Edwards, em que o tipo II está associado a artéria subclávia aberrante, juntamente com divertículo de Kommerell. Essa variação pode promover o aparecimento de doença aterosclerótica. Para o tratamento de pacientes com essa anatomia mais SCA com Syntax Socre elevado é indicado a CRM, e para a revascularização deve-se discutir quais melhores vasos para fazer a operação juntamente com o Euro Score.

Autores: GUILHERME GUENTHER DA SILVA, Marcos Ferranti Smaniotto, Maurício Felippi de Sá Marchi, Tadeu Augusto Fernandes, Giselle Abigail Mendes, Clarissa Novello Batzner, Marcelo Mendes Farinazzo