XV Congresso Catarinense de Cardiologia

Divisor de Título

Avaliação do conhecimento da população do município de Concórdia - SC sobre parada cardiorrespiratória, ressuscitação cardiopulmonar e uso do desfibrilador externo automático

Introdução: A parada cardiorrespiratória (PCR) é responsável por quase 15% das mortes cardiovasculares no mundo(1). O início rápido da reanimação cardiorrespiratória e a utilização precoce do desfibrilador externo automático (DEA) são fundamentais para aumentar a sobrevida de vítimas de PCR(2,3). O presente estudo objetivou avaliar e quantificar o conhecimento da população de Concórdia ? SC sobre: Conhecimento sobre PCR, ressuscitação cardiopulmonar (RCP) e utilização do DEA. Métodos: Trata-se de um estudo transversal-descritivo, que, por meio da aplicação de questionários, com 11 questões objetivas, de múltipla escolha, abordou 386 indivíduos nas ruas e no comércio do centro e bairros de Concórdia. Resultados: Dos entrevistados, 75,4% eram mulheres. A média de idade é 27,9 anos (± 12,2 anos). A maioria (29,7%) possuía ensino médio completo ou superior incompleto (29,2%). Ao serem perguntados se sabiam o que era um DEA, 83,6% dos entrevistados disseram que não. Quando o termo utilizado era Desfibrilador Externo Automático, 39,6% afirmou saber o que era. Sobre o que fazer quando uma pessoa perde a consciência e não desperta mais, 72,2% relata não saber. Sobre o número do SAMU, 89,6% afirmaram que lembram, número semelhante aos 91,4% que sabem o dos Bombeiros. A maioria (82,1%) disse saber o que é uma PCR. Dentre os participantes, 42,7% afirmaram terem recebido algum tipo de treinamento para realizar compressões torácicas/massagem cardíaca, número superior a dados encontrados em Hong Kong (34%) e inferiores a Nova Zelândia (74%) e Washington (79%)(4). Os dados a seguir aplicam-se somente aos 42,7% que disserem possuir treinamento em RCP. Destes, 29,6% assinalaram a resposta correta ?chamar ajuda? quando perguntados sobre qual a primeira atitude após reconhecer uma PCR em adulto, dado inferior aos 60,9% de estudos realizados nos Estados Unidos. Sobre local correto das compressões, 90,9% assinalaram a alternativa correta ?no meio do peito, sobre o esterno?. Sobre o número mínimo de compressões por minuto que deveria ser feita, 38,1% assinalaram a resposta correta: ?100?. Por fim, sobre a utilização DEA, 8,4% disseram que sabem usar, número inferior aos 71% encontrados em estudos americanos. Através de análise condicional, selecionando somente os indivíduos que dizem já ter recebido treinamento, a chance de, ao acaso, selecionar uma dessas pessoas, que saiba corretamente a sequência básica dentre os itens avaliados nas questões 8 a 11 (chamar ajuda antes de iniciar as compressões, local correto das compressões, número mínimo de compressões por minuto e utilizar o DEA) é de 0,86%. Conclusão: Os dados demonstram que o conhecimento das pessoas com ou sem treinamento em RCP estão aquém do ideal, considerando o importante papel leigo no atendimento à RCP extra-hospitalar. Sugerimos ser necessário melhorar os programas de treinamento existentes e criar novas intervenções práticas de educação e treinamento da população sobre os temas abordados.

Autores: BRUNO MIRANDA MINSKI, Fernando Luiz de Melo Bernardi