XV Congresso Catarinense de Cardiologia

Divisor de Título

Síndrome de Takotsubo em paciente masculino: Relato de caso

Introdução: A síndrome de Takotsubo apresenta-se clinicamente como uma síndrome coronariana aguda, podendo mimetizar um infarto agudo do miocárdio (IAM). Uma das características mais peculiares dessa síndrome é ser frequentemente precedida por uma situação de estresse emocional ou físico, levando ao seu sinônimo de cardiomiopatia por estresse. Aproximadamente 90% dos casos são observados em mulheres pós-menipausa. Quando diagnosticada em homens, prevalece o fator de estresse físico, podendo ser desencadeada por doença pulmonar, trauma, sepse ou procedimentos invasivos. Relato de caso: Paciente masculino, 85 anos, com histórico de hipertensão, diabetes, insuficiência cardíaca congestiva, hipotireoidismo e síndrome demencial, previamente internado na UTI por quadro de choque séptico de foco pulmonar. Após dois dias da admissão, evolui com fibrilação atrial de alta resposta ventricular, sendo o último após início de dobutamina. No terceiro dia houve piora do quadro hemodinâmico e queixas de náuseas sem êmese e sem precordialgia. O eletrocardiograma solicitado revelou um supradesnivelamento de segmento ST com bloqueio de lesão da parede anterior. Imediatamente o paciente foi submetido à cineangiocoronariografia. Ao exame de imagem, evidenciou-se ausência de lesões coronarianas graves, porém, a ventriculografia exibiu um ventrículo esquerdo com hipercinesia basal anterior, basal inferior, acinesia médio-anterior e médio-inferior e discinesia apical, conferindo o padrão da síndrome de Takotsubo. Conclusão: A síndrome de Takotsubo possui uma fisiopatologia de natureza multifatorial, mas como importante fator uma descarga catecolaminérgica levando a uma disfunção ventricular temporária, normalmente revertida de forma espontânea em dias a meses. Aproximadamente 2% são inicialmente classificados como síndrome coronariana aguda, entretanto, ainda não há um consenso entre a literatura sobre critérios diagnósticos, dificultando o manejo adequado dos pacientes. Apesar de ter um curso normalmente benigno, há importantes complicações envolvendo arritmias, sendo então considerada uma causa de morte súbita cardíaca.

Autores: MARCOS FERRANTI SMANIOTTO, Guilherme Guenther da Silva, Maurício Felippi de Sá Marchi, Ana Caroline Benin, Clarissa Novello Batzner, Giselle Abigail Mendes, Marcelo Mendes Farinazzo