XV Congresso Catarinense de Cardiologia

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Infarto Agudo do Miocárdio com Supradesnível do Segmento ST Ânteroseptal ? Vaso Culpado: Artéria do Cone com Óstio Separado

Introdução: A artéria do cone (AC) é responsável pela irrigação da via de saída do ventrículo direito (VSVD), normalmente se origina como o primeiro ramo da artéria coronária direita (ACD), no entanto em 1-2% das pessoas (referencia) ela se origina diretamente da aorta. A oclusão aguda da AC geralmente ocorre junto com oclusão proximal da ACD, podendo acarretar num infarto de parede inferior do ventrículo esquerdo (VE) e infarto do ventrículo direito. Uma oclusão aguda isolada da AC com origem direta da aorta é algo extremamente raro, ocasionando infarto agudo da VSVD. Aqui relatamos um caso de infarto agudo do miocárdio com supradesnível do ST (IAMCSST) das derivações V1, V2 e V3, cuja artéria culpada foi a AC com origem de óstio separado da ACD, mimetizando achado eletrocardiográfico de IAMCSST ântero-septal. Descrição: Paciente, 70 anos, masculino, tabagista ativo e hipertenso, deu entrada no serviço de emergência às 20:00 com dor precordial de forte intensidade com início às 17:30 em repouso. Apresentava-se lúcido, com pressão arterial de 168x84mmHg, FC:90 bpm, FR:22 mrpm, SaO2:95% em ar ambiente, ausência de estase jugular, ausculta pulmonar e cardíaca sem alterações. O eletrocardiograma (ECG) apresentava ritmo sinusal, extra-sístole ventricular isolada e supradesnível do segmento ST de 4 mm nas derivações V1, V2 e V3 (figura 1). Feito o diagnóstico de IAMCSST ântero-septal com início há 2h30min, sendo a artéria culpada provavelmente a descendente anterior. Às 20:30 iniciado o cateterismo por via radial. A ACD encontrava-se pérvia, sem estenoses (figura 2). Na coronária esquerda também não foi observada oclusão aguda ou estenoses significativas (figura 3). Como não observado a AC emergindo da ACD, esta foi cateterizada seletivamente no seio coronariano direito, constatando que encontrava-se ocluída. Realizou-se angioplastia com balão da AC com sucesso (figura 4), com melhora imediata da dor e resolução do supradesnível do ST no ECG pós procedimento (figura 5). Curva de troponina apresentou pico com 24 horas (10x o valor de referência). Ecocardiograma sem evidência de hipocinesia do VE, confirmando que o infarto não foi da parede anterior do VE. Conclusão: O infarto agudo isolado da AC com óstio separado da ACD é uma situação extremamente rara, podendo mimetizar ECG de um IAMCSST ântero-septal. Na cinecoronariografia se a AC não for investigada com cateterização seletiva, pode-se firmar o diagnóstico errôneo de infarto agudo com coronárias normais.

Autores: FERNANDO LUIZ DE MELO BERNARDI, Graciela Dahmer, Caroline Duarte Mello, Yago Moreira Pimenta, Luciano Schmoeller, Gabriela Kettner, Géssica Rafaella Casagrande, Guilherme Luiz de Melo Bernardi