XV Congresso Catarinense de Cardiologia

Divisor de Título

Fatores associados à readmissão hospitalar em até um ano pós Síndrome Coronariana Aguda

Introdução: A Síndrome Coronariana Aguda (SCA) impacta significativamente o Sistema de Saúde sendo responsável por um número elevado de internações e alto custo. Embora o tratamento tenha avançado, com melhora de sobrevida, não houve redução das readmissões hospitalares após o evento isquêmico. Ainda que não hajam estatísticas brasileiras, dados internacionais mostram que as taxas de readmissão alcançam 61,7%, predominando nos primeiros 30 dias pós-alta hospitalar. Estima-se que 53% delas estejam relacionadas à primeira internação. Diante disso, estudos vêm procurando identificar aqueles pacientes com maior risco de nova hospitalização no seguimento pós SCA. Há dados na literatura que mostram que algumas características como sexo feminino, Doença Renal Crônica e Insuficiência Cardíaca são preditores de nova hospitalização. Além dessas, complicações relacionadas a procedimentos de angiografia, reperfusão e revascularização miocárdica também foram associadas a maior risco de readmissão hospitalar. No Brasil ainda não há estudos que busquem associar características clínicas dos pacientes ou do tratamento realizado no hospital com a chance de readmissão pós SCA. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo identificar os fatores associados à readmissão, em até um ano pós alta, por SCA em pacientes internados num centro de referência em cardiologia. Método: Estudo observacional do tipo caso-controle através de análise de prontuários em uma amostra com 75 casos e 300 controles. Foram analisados os prontuários de pacientes com diagnóstico de SCA que receberam alta hospitalar no ano de 2014. Consideraram-se como casos os readmitidos em até um ano após a alta hospitalar. Como controles foram selecionados aqueles que não reinternaram dentro desse período. Análise estatística: O software Statistical Package for the Social Science (SPSS 20.0), que foi utilizado para a análise estatística. Utilizou-se o teste do qui-quadrado (x²) para testar a homogeneidade de proporções. Valores de p < 0,05 foram considerados estatisticamente significativos. A medida de associação utilizada foi o Odds Ratio (OR) com os respectivos intervalos de confiança (IC 95%). Resultados: Readmissão hospitalar associou-se com sexo feminino {OR 1,89 IC (1,13-3,15); p< 0,05}, Doença Renal Crônica {OR 6,68, IC (2,22-19,4), p <0,01}, Insuficiência Cardíaca {OR 2,7; IC (1,41-5,31); p<0.01}. Associou-se também com escore GRACE >108 {OR 3,49, IC (2,07-5,89) p<0,01}, classificação de Killip >1 {OR 4,85; IC (2,61-9,01); p<0,01} e Angioplastia realizada na internação índice {OR 1,87; IC (1,12-3,11); p<0,05). Conclusão: Sexo feminino, Insuficiência Cardíaca, Doença Renal Crônica foram características clínicas associadas à readmissão hospitalar em um ano pós SCA. A angioplastia durante a internação índice também se associou à nova hospitalização, assim como escore de risco GRACE moderado ou alto e a classificação de Killip >1.

Autores: MATHEUS NIENKOTTER TAVARES KUHNEN, Jamil Cherem Schneider, Vinicius Krepsky Dalmoro , Hugo Leonardi Baldisseroto