XV Congresso Catarinense de Cardiologia

Divisor de Título

Preditores de recorrência e resultados a longo prazo no tratamento da fibrilação atrial em pacientes submetidos a mais de um procedimento de ablação por cateter.

Introdução: A ablação por cateter é opção de primeira escolha para pacientes portadores de fibrilação atrial paroxística refratária a drogas antiarrítmicas. A recorrência pós-procedimento relaciona-se a reconexão das veias pulmonares (VP) previamente isoladas e, nestes casos, a repetição do procedimento é uma opção terapêutica. O objetivo deste trabalho é relatar o resultado do tratamento percutâneo da fibrilação atrial (FA) numa coorte contemporânea em SC de pacientes submetidos a mais de um procedimento de ablação por cateter para o tratamento da FA.Métodos: Foram incluídos pacientes com idade >18 anos, as informações foram indexadas a uma base de dados online, entre 2011 e 2016 com seguimento mínimo de 12 meses. As características clínicas e procedimentos foram analisados por meio de regressão de Cox, comparação de médias e proporções associadas ao desfecho primário: recorrência (ausência de arritmias atriais sintomáticas ou detectadas em Holter de 7 dias ao longo do seguimento), sendo um Grupo A (livre de recorrência após o 2º procedimento) e o outro com pacientes que apresentaram recorrência clínica de FA (Grupo B).Resultados: Foram analisados 327 pacientes consecutivos submetidos a 395 procedimentos de ablação por cateter para o tratamento da FA dentre os quais 68 pacientes realizaram um 2º procedimento. A taxa de recorrência geral com um único procedimento foi de 24% (78 pacientes). Dos 68 pacientes, 42 mantiveram-se livre de recorrência, enquanto 26 apresentaram recorrência após o 2º procedimento com um acompanhamento médio de 3.38±1 e 1.3±1 anos, respectivamente (p<0.01). A recorrência geral para o grupo inicial de 327 pacientes foi de 9% após a 2ª ablação. 58 pacientes apresentavam FA paroxística (?7 dias) e 10 persistente (>7 dias ?1 ano). Quando comparados os grupos, a idade média foi de 61.1±10 e 64.3±11 (p=0.23) anos, não houve diferença entre A e B em relação a prevalência de HAS, DM, doença coronariana e AVC prévio (5 pacientes). No entanto, os escores de risco foram maiores no grupo B (CHA2DS2VASc de 1.5±1 vs 2.3±1.8 p<0.05). Os pacientes com CHA2DS2VASc ?2 após o 2º procedimento, apresentaram RR 2.47 para recorrência (IC95% 0.88?6.93 p<0.05). Não houve diferença para diâmetro de AE de 39±5 e 41±6mm respectivamente em A e B. O principal preditor de recorrência foi ausência de reconexão das VPs durante o 2º procedimento (RR 5.0 IC95%1.35?18.62 p<0.01). A presença de tronco comum esquerdo das VP associou-se a menores taxas de recorrência pós-ablação (RR 0.18 IC95%0.03?0.90 p<0.05). Houve 2 hematomas inguinais (2º procedimento), 1 hematoma retroperitoneal e 1 trauma uretral por sondagem vesical ambos no 1º procedimento. Não houve complicações graves ou óbito.Conclusão: Os resultados clínicos iniciais indicam uma sobrevida livre de recorrência em 91% dos pacientes submetidos a até 2 procedimentos de ablação por cateter. A repetição da ablação de FA por cateter deve ser encorajada em função do benefício e segurança do procedimento.

Autores: GABRIEL ODOZYNSKI, Alexander dal Forno, Andrei Lewandowiski, Hélcio G. Nascimento, Marta Denisczwicz, Claudio Ferreira, André d'Avila