XV Congresso Catarinense de Cardiologia

Divisor de Título

Polifarmácia em geriatria: avaliação de prescrições e associação de comorbidades em pacientes idosos de um município catarinense.

Introdução: A literatura médica evidencia que o envelhecimento predispõe o aparecimento de doenças crônicas e por consequente um consumo aumentado de medicamentos prescritos ou não. A polifarmácia pode ser definida como a utilização simultânea de dois ou mais fármacos, o uso desnecessário de pelo menos um fármaco, ou ainda o tempo de consumo excessivo, tornando-se uma prática frequente entre idosos. Assim, o estudo avaliou a polifarmácia em pacientes idosos, bem como os agravos mais frequentes nesta população. Métodos: Foram convidados a participar do estudo, todos os idosos pertencentes a sete unidades básicas de saúde e cadastrados no programa municipal intitulado ?Programa de atenção ao idoso?, que fornece medicamentos gratuitos aos munícipes com 60 anos de idade ou mais. Os dados foram coletados através de entrevistas individuais, questionários e avaliação de prescrição médica de até seis meses. Resultados: Participaram do estudo 1096 idosos (92,5%), todos com mais de 60 anos. Observou-se que 90,3% destes não trabalham fora, sendo que 88% se locomove normalmente, 8% se locomove com dificuldade e apenas 4% estão acamados e dependem de cuidador. A maioria das prescrições são originárias da rede pública de saúde (96,1%), sendo 3,9% da rede privada. Entre todos os participantes observou-se que 89,9% utiliza medicação para tratamento da hipertensão e problemas diretamente relacionados ao coração; 61,4% utiliza medicação para dislipidemia; 37,3% utiliza omeprazol; 28,1% trata diabetes; 23,4% utiliza medicação para dor e 20,6% tem problemas de tireóide. Entre os pacientes que tratam diabetes, 62% utiliza apenas um tipo de medicamento, enquanto 28,9% utilizam dois e 9,1% utilizam três ou mais medicamentos hipoglicemiantes. Por outro lado, para o tratamento da hipertensão, apenas 16,6% utiliza um medicamento; a maioria dos pacientes, 26,7% e 27,3%, utiliza dois ou três medicamentos, respectivamente; enquanto 17,1% utiliza quatro; 8,0% utiliza cinco e 4,3% utiliza seis medicamentos ou mais. Para o tratamento das dislipidemias, 91,1% dos pacientes utilizam somente um tipo de medicação; 8,8% utiliza dois medicamentos e apenas 0,1% utiliza três. O tratamento de problemas na tireoide é feito em monoterapia para 80,1% dos pacientes, 19,5% utiliza dois medicamentos e 0,4% utiliza três. Para aliviar a dor, monoterapia é suficiente para 72,2% dos pacientes, enquanto 27,3% necessita de dois medicamentos e 0,5% de três. Conclusões: Observou-se que o principal agravo destes pacientes é a hipertensão, seguida por dislipidemias e diabetes. Estes agravos estão fortemente inter-relacionados e associados às doenças cardiovasculares. A polifarmácia é mais predominante no tratamento da hipertensão arterial, mas também destaca-se no tratamento do diabetes. Para a adesão e boa resposta ao tratamento, além da diminuição de comorbidades, é fundamental que estes pacientes sejam acompanhados de perto pelos profissionais de saúde do município.

Autores: HELOISA PAMPLONA CUNHA, Paola Sofka