XV Congresso Catarinense de Cardiologia

Divisor de Título

Persistência de Veia Cava Superior Esquerda em Paciente Submetido a Implante de Marcapasso Bicameral

Introdução No desenvolvimento embrionário normal, a drenagem do aspecto cefálico do embrião ocorre pelas veias cardinais direita e esquerda, conectadas pela veia inominada. A porção cefálica destas veias se transformam nas veias jugulares internas, a porção caudal da veia cardinal direita se transformará na Veia Cava Superior Direita, enquanto a porção caudal da esquerda regride, após formação do seio coronário, originando o Ligamento de Marshall. Se a regressão não ocorrer, há a Persistência de Veia Cava Superior Esquerda (PVCSE), que ocorre em 0,3 a 0,5% da população geral e está associada à ausência da Veia Cava Superior Direita em 10% destes casos. Em uma série italiana de 1147 casos de implante de marcapasso, 8 deles apresentaram esta anomalia. Sua presença exige estratégias diferentes do habitual para o implante do marcapasso. A seguir, relatamos um caso de PVCSE Paciente masculino, 65 anos apresentava síncopes de repetição e Eletrocardiograma com Bloqueio Atrio Ventricular total (BAVT). Na ausência de fatores reversíveis para o BAVT, foi indicado implante de Marcapasso Bicameral Definitivo. Iniciado o implante, optou-se pelo acesso venoso por Veia Subclávia Direita para o implante do eletrodo. A imagem inicial da descida do eletrodo já demonstrou trajeto não habitual Cogitou-se a possibilidade de acesso arterial por acidente, mas isto não era compatível com a pressão e o aspecto do sangue da punção. Considerada então a possibilidade de algum trajeto venoso anômalo, o próximo passo foi realizar imagem contrastada do trajeto, que demonstrou ausência de trajeto à direita e presença de via venosa à esquerda, passando pela área cardíaca e desembocando no átrio direito, compatível com o diagnóstico de Persistência de Veia Cava Superior Esquerda associada à inexistência de Veia Cava Direita. Com apenas uma via de acesso endovascular superior para as cavidades direitas, prosseguiu-se com o implante dos eletrodos. A passagem do eletrodo ventricular pelo seio coronário provocou períodos prolongados de assistolia ventricular, que combinada com a dificuldade de passagem do eletrodo pelo trajeto sinuoso até o ventrículo direito, tornou este procedimento tecnicamente mais difícil que o previsto inicialmente. O eletrodo ventricular ficou com orientação septal e foi necessário deixar sobra de eletrodo no Átrio Direito para se impedir a retificação do eletrodo para cima com a retirada da guia, evitando-se desta maneira o deslocamento e tração deste. O posicionamento e fixação do eletrodo atrial se provou mais fácil. Conclusões Por ser assintomática, esta anomalia é normalmente identificada apenas durante realização de imagens cardiovasculares ou cateterização do coração. A presença desta anomalia exige adaptações técnicas por parte do operador, porém, os resultados da literatura são muito bons. A boa evolução deste caso, até o momento, é encorajadora e compatível com estes resultados.

Autores: SAULO DA COSTA PEREIRA FONTOURA, Tiago Luiz Silvestrini, Rafael de March Ronsoni, Renata Fortes Etchepare