XV Congresso Catarinense de Cardiologia

Divisor de Título

Hipertensão arterial e sua associação com a condição não eutrófica de crianças e adolescentes brasileiros.

Introdução: A pressão sistólica e diastólica tem associação constante, independente, gradual e positiva com doenças cardiovasculares (DCV). Mesmo os valores normais/elevados estão associados com risco aumentado de DCV e ela geralmente está associada com outros fatores de risco como obesidade, dislipidemia, hiperglicemia, que ajudam a aumentar o risco atribuível a qualquer valor de pressão arterial (PA). Assim, é consenso que a hipertensão arterial sistêmica é um dos principais fatores de risco para DCV e para falência cardíaca e renal. A elevação da PA durante a infância causa mudanças cardíacas estruturais e funcionais, sendo importante contribuinte para o aumento do risco cardiovascular na vida adulta. Portanto, a detecção e o controle da PA elevada deve começar o mais cedo possível. Assim, o objetivo do estudo foi identificar a prevalência de hipertensão arterial em crianças e adolescentes de Botuverá-SC, Brasil e avaliar o efeito do excesso de peso, obesidade e da SM sobre a hipertensão nestes jovens. Métodos: Todos os alunos de escolas públicas do município de Botuverá-SC, foram convidados a participar do estudo. Cálculo amostral definiu que o número mínimo de alunos avaliados para obter significância estatística deveria ser 356. A pressão arterial foi aferida após repouso de 5 minutos e os valores estratificados por sexo, idade e percentil de altura conforme a I Diretriz de Prevenção da Aterosclerose na Infância e na Adolescência. O status nutricional foi definido pelo percentual de IMC-para-idade. P ? 0,05 foi considerado estatisticamente significativo. Resultados: 399 (68%) alunos (10,5 ± 2,9 anos) foram avaliados, 52,1% eram meninas. Valores elevados de pressão arterial foram verificados em 31,1% dos estudantes, sendo a pré-hipertensão verificada em 14,0% e a hipertensão grau I e II em 11,8% e 5,3% dos estudantes, respectivamente. Não houve diferenças entre os gêneros. Observou-se elevada prevalência de pré-hipertensão nos estudantes com obesidade abdominal (25,0%) e aumento na prevalência de hipertensão grau I e II nos estudantes com obesidade abdominal (18,7 e 6,3% respectivamente), sobrepeso (11,3 e 7,5%) e obesidade geral (30,4 e 19,6%). Observou-se que 77,1% das crianças e adolescentes com síndrome metabólica (SM) apresentaram pressão arterial elevada, enquanto em estudantes sem a SM, a prevalência foi significativamente menor (24%; p < 0,001). Nos estudantes com SM a prevalência de hipertensão foi 18,5% nos eutróficos, 26,0% nos estudantes com sobrepeso e 55,5% nos obesos. Nos estudantes avaliados, o índice de massa corporal foi positivamente correlacionado com a pressão arterial sistólica e diastólica (p < 0,001 e r = 0,531 para ambos). Conclusão: Foi verificada elevada prevalência de hipertensão, especialmente grau I, nos estudantes avaliados. A presença de excesso de peso e de SM levou ao aumento da prevalência de hipertensão e piora do risco cardiovascular.

Autores: HELOISA PAMPLONA CUNHA, Nilton Rosini, Roberta Caetano , Alexandre Luiz Pereira, Marina Vieira de Oliveira, Marcos José Machado, Edson Luiz da Silva