XV Congresso Catarinense de Cardiologia

Divisor de Título

Reativação de Doença de Chagas após transplante cardíaco

Introdução A doença de Chagas é uma infecção causada pelo protozoário parasita Trypanosoma cruzi. Essa infecção é responsável por significativa morbimortalidade gastrointestinal e cardíaca na América Latina, aonde estima-se que hajam entre seis a oito milhões de pessoas infectadas. No Brasil é a terceira causa etiológica mais comum de transplante cardíaco. Descrição do caso Paciente masculino, 38 anos, proveniente do Estado de Goiás, com quadro de insuficiência cardíaca sistólica devido à doença de Chagas em classe funcional da NYHA IV, apesar do tratamento clínico otimizado e ao uso de ressincronizador. Admitido na Unidade Coronariana estável hemodinamicamente às custas de dobutamina. Ecocardiograma recente com FE de 18%. Submetido ao transplante cardíaco sem intercorrências no perioperatório. Biópsia e ecocardiograma de controle eram normais. Aproximadamente dois meses após o transplante iniciou com quadro clínico de insuficiência cardíaca com redução da FE para 33%. Nova biópsia confirmou rejeição aguda. Houve discreta melhora clínica após a pulsoterapia com corticoide que não se sustentou ao longo dos dias. Desse modo, a hipótese de reativação chagásica foi levantada e confirmada por nova biópsia. Apesar do ajuste terapêutico o paciente apresentou evolução desfavorável evoluindo a óbito. Conclusões Historicamente, essa doença predominava em áreas rurais, onde condições de habitação precárias promoviam contato com vetores portadores do protozoário. Entretanto, a epidemiologia da doença está mudando devido à migração de indivíduos dentro e fora dos países endêmicos, bem como programas bem-sucedidos para redução da transmissão em áreas endêmicas. Embora infrequente em nosso serviço, devido ao baixo número de transplantes realizados por doença chagásica, o risco cumulativo de reativação entre pacientes com transplante cardíaco em estudos de coorte publicados pode variar de 29 a 50 por cento. Em estudos, a reativação foi diagnosticada em um período de tempo que pode variar de 38 dias a mais de sete anos após o procedimento. Os fatores de risco mais relatados associados ao aumento do risco de reativação incluíram o uso de altas doses de ciclosporina ou micofenolato de mofetil, episódios recorrentes de rejeição e a presença de neoplasias.

Autores: MAURÍCIO FELIPPI DE SÁ MARCHI, Fernanda Geremias dos Santos, Marcelo Mendes Farinazzo, Marcos Vinícius Claussen Moura