XV Congresso Catarinense de Cardiologia

Divisor de Título

Fatores de risco modificáveis em uma coorte de cirurgia cardíaca para ocorrência de FA: importância da terapia com Farmacos Beta-Bloqueadores

INTRODUÇÃO A Fibrilação Atrial no pós operatório de cirurgia cardíaca (FAPO) é uma intercorrência comum e está associada com um aumento da internação, risco de acidente vascular cerebral, aumento de mortalidade e consequentemente aumento dos custos econômicos oriundos dos sistemas de saúde. A fisiopatologia não foi completamente elucidada. Na presença de fatores de risco modificáveis politicas para minimizar a ocorrência, pode ser a chave para a redução de eventos e custos. Esse trabalho objetiva avaliar os fatores de risco de maior importância, em analise multivariada, em pacientes submetidos a cirurgia cardíaca em centro terciário catarinense. MÉTODO Estudo de coorte contemporâneo realizado no ano de 2015, 147 pacientes foram submetidos à cirurgia cardíaca (isquêmica e/ou valvar associado ou não a outro procedimento) no Hospital Regional Hans Dieter Schmidt de Joinville. Foram excluídos 12 pacientes que possuíam como ritmo de base FA, restando 135 pacientes para a analise. Desfechos estudados foi a ocorrência da FAPO e as variáveis pequisadas foram derivadas dos escores de risco já publicados na literatura (22 variáveis pre e 4 variaveis pós operatório). Inicialmente, foram geradas tabelas de freqüência para todas as variáveis. Para controlar o potencial efeito de confusão entre os fatores analisados e a ocorência de FAPO, utilizou-se um modelo matemático baseado na regressão logística multivariada. O nível de significância adotado foi de 0,05. A análise de dados foi realizada com o auxílio do programa SPSS, versão 8.0. DISCUSSÃO Dos 134 pacientes estudados, 32,8% apresentaram FAPO, sendo que destes, 40% desenvolveram essa complicação no terceiro dia. A média de idade foi de 64,32 anos (±8,47). Considerando os pacientes acima de 70 anos foi identificado o primeiro fator de risco sob analise multivariada ? RR 1,05 (IC95% 1,01-1,09, p=0,01). Quando analisado pacientes submetidos a balanço hídrico > 1500 ml em 24 horas de pós operatório foi verificado o segundo fato de risco em nossa amostra - RR 2,62 (IC95% 1,04-6,58, p=0,04). E o ultimo fator de risco e de maior magnitude significância são os pacientes que não utilizaram beta-bloqueadores no período perioperatório possuem - RR 10,7 (IC95% 3,47-33,12, p<0,001). CONCLUSÃO Dos 3 fatores descritos em nossa amostra o de maior magnitude ratifica a importância do uso do BB no peri-operatorio (10x no aumento de chance no caso de não utilização). Além disso podemos considerar como um fator plenamente modificável através de conscientização médica de sua utilização neste período critico. Cabe ressaltar que o balanço hídrico de pós operatório possui múltiplas variáveis complexas associadas com as primeiras horas pós cirúrgica, o que provavelmente gerará dificuldade técnica em um controle restritivo hídrico neste período.

Autores: ANA CAROLINA CALDARA BARRETO, Ana Carolina Gern Junqueira, KARILA SCARDUELLI LUCIANO, CONRADO ROBERTO HOFFMANN FILHO, ALEXANDRE GAYOSO NEVES MAIA DE OLIVEIRA, OUGLAS MUNIZ BARBOSA, RICARDO PEREIRA DA SILVA, rafael de march ronsoni