XV Congresso Catarinense de Cardiologia

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Perfil dos pacientes pediátricos submetidos a implante de dispositivo cardíaco eletrônico no Hospital infantil Dr Jesse Amarante Faria em Joinville, SC

A população pediátrica representa menos de 1% das cirurgias de dispositivos cardíacos eletrônicos implantáveis (DCEI) As principais indicações em crianças são os bloqueios atrioventriculares (BAV) congênitos e os pós cirúrgicos.3 O implante epicárdico é o método mais utilizado para crianças que ainda se apresentam em crescimento somático. Cada vez mais centros capacitados tem feito o implante endocárdica, já que apresenta maior durabilidade, se aproxima da estimulação fisiológica e menos invasivo. Este estudo tem como finalidade caracterizar o perfil epidemiológico do Ambulatório de Arritmia e de Estimulação Cardíaca Artificial (AAECA) do Hospital Infantil Dr Jesse Amarante Faria (HIJAF) , da cidade de Joinville. Trata-se de um estudo observacional, retrospectivo. Foram analisados todos os prontuários dos pacientes com até 18 anos de idade sob acompanhamento no AAECA do HIJAF. Os relatos cirúrgicos e o acompanhamento clínico foram analisados. Foi realizada análise sobre variáveis como sexo, idade, história cirúrgica, indicação da cirurgia, cirurgia realizada, via de acesso, comorbidades associadas, dispositivos empregados e complicações. Dos 49 pacientes observados, 25 eram do sexo masculino (51%). A média de idade na data da cirurgia foi de 3,67 anos, com extremos de 1 dia a 16 anos completos. A média de idade atualizada de acompanhamento no ambulatório é de 7,04 anos. Cardiopatia congênita foi encontrada em 26 pacientes (53%), excluindo-se os pacientes com doença elétrica primária.O achado mais prevalente das cardiopatias foi o defeito de septo interventricular em qualquer grau, isoladamente ou compondo quadros complexos (18 pacientes, 69,2%). As principais indicações foram 24 por BAVT em pós-operatório (48,9%), 12 por BAVT congênito (24,4%), 5 por síndrome do Qt longo congênito (10,2%), 3 por disfunção do nó sinusal em 3 casos sendo 2 casos em pós operatório (6,1%). Houve ainda dois casos (4%) de cada uma das seguintes indicações: sincope recorrente e de taquicardia ventricular catecolaminérgica. Houve uma caso de síndrome de Brugada (2%). Os dispositivos implantados foram: 35 de MP DDD (71,4%), 4 de MP VVI (8,1%), 6 de CDI DDD (12,2%), 2 de CDI VVI (4%) e 2 monitor de eventos (4%). Na população estudada, a maioria dos pacientes possuía ou recebeu eletrodos epicárdicos (83,6%). Metade dos CDIs foram implantados por via endocárdica (n=4). Foram descritas quatro complicaçõesnão fatais (8,1%), sendo, dois deslocamentos de eletrodos endocárdicos, um pneumotórax, um caso de alto limiar de desfibrilação. A população pediátrica sujeita a implante de DCEIs apresenta peculiaridades, sobretudo associadas às cardiopatias de grande prevalência nessa faixa etária. Na população estudada, as taxas de complicação foram baixas e os objetivos foram alcançados, havendo preferência, sempre que possível, pelo uso de sistemas endocárdicos. A melhor compreensão dessa população pode auxiliar no planejamento de políticas públicas e na definição de diretrizes.

Autores: ANA CAROLINA GERN JUNQUEIRA, Ana Carolina Caldara Barreto, CASSIO FON BEN SUM, ELIANA COSTA PELLISSARI, JOSIANE MAGDA CAMAROTTO D'AGOSTINI, RAFAEL DE MARCH RONSONI