XV Congresso Catarinense de Cardiologia

Divisor de Título

Incidência de fibrilação atrial no pós-operatório de cirurgia cardíaca e seus fatores associados em centro terciário de cardiologia catarinense

A fibrilação atrial pós operatória (FAPO) é a complicação mais frequente após uma cirurgia cardíaca, a incidência varie entre 25% a 62% Os mecanismos fisiopatológicos e os fatores de risco da FAPO ainda não são completamente elucidados1 ,mas a ativação do sistema simpático e o processo inflamatório causado pela cirurgia são os mais aceitos. A identificação dos fatores de risco e por consequência de pacientes com alto risco para desenvolver FAPO pode ser de grande valia para intervenção precoce e medidas de prevenção. O objetivo desse estudo é a avaliação da prevalência de FAPO em cirurgias cardíacas e seus fatores associados em um centro terciário de cardiologia catarinense. MÉTODO Estudo de coorte contemporâneo realizado no ano de 2015, 147 pacientes foram submetidos à cirurgia cardíaca (com ou sem circulação extracorpórea, devido à cardiopatia isquêmica e/ou valvar associado ou não a outro procedimento) no Hospital Regional Hans Dieter Schmidt de Joinville, Santa Catarina, Brasil. Destes foram excluídos 12 pacientes que possuíam como ritmo de base FA, restando 135 pacientes para a analise. Desfechos estudados foi a ocorrência da FAPO e as variáveis pequisadas foram derivadas dos escores de risco já publicados na literatura (22 variáveis pre e 4 variaveis pós operatório). Inicialmente, foram geradas tabelas de freqüência para todas as variáveis contidas no banco de dados. Em seguida calculou-se a média ± desvio padrão para as variáveis quantitativas e o percentual para as qualitativas. Mediu-se a força de associação de cada um dos fatores para FAPO através de estimativas de risco relativo com intervalos de confiança de 95%. A significância dessas associações foi determinada pelo teste do qui-quadrado e, quando necessário, pelo teste exato de Fischer. Comparações de dados quantitativos entre os grupos foram reali- zadas por teste t de Student para amostras independentes. O nível de significância adotado foi de 0,05. A análise de dados foi realizada com o auxílio do programa SPSS, versão 8.0. RESULTADO A prevalecia de FAPO foi de 32,8% sendo o pico de incidência no terceiro dia (40%). Sob análise bivariada o único critério pre operatório que demonstrou significância foi idade superior a 70 anos (prevalência de 31,6% vs 11,1% p =0,003). Quanto as variáveis trans e pós-operatórias: balanço hídrico acima de 1500 ml em 24 horas de PO (prevalência de 75% vs 50% p =0,04) e não utilização de B-bloqueadores no período perioperatório (prevalência de 90,9% vs 51,1% p<0,001).Posteriomente aplicada análise multivariada com regressão logística permanecendo significativamente as variáveis descritas acima. CONCLUSÃO A prevalência e cronologia temporal de FAPO semelhante ao descrito na literatura. Importante salientar a presença de 2 variáveis sujeitas a intervenção médica (balanço hídrico marcadamente positivo e não utilização de terapia betabloqueadora) onde poderia servir de orientação ou indicadores para politicas de prevenção desta complicação.

Autores: ANA CAROLINA GERN JUNQUEIRA, Ana Carolina Caldara Barreto, CONRADO ROBERTO HOFFMANN FILHO, EDILSON ALVARO ROMA, DOUGLAS MUNIZ BARBOSA, ALEXANDRE GAYOSO NEVES MAIA DE OLIVEIRA, RICARDO PEREIRA DA SILVA, rafael de march ronsoni