XV Congresso Catarinense de Cardiologia

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RELATO DE CASO: ABLAÇÃO PARA FIBRILAÇÃO ATRIAL PERSISTENTE EM DISFUNÇÃO SISTÓLICA IMPORTANTE RESULTANDO EM NORMALIZAÇÃO DA FEVE, NA AUSÊNCIA DE TAQUICARDIOMIOPATIA.

INTRODUÇÃO A FA e a disfunção ventricular são doenças crônicas comuns em cardiologia. Quando estão associadas no mesmo paciente, a relação de causa e efeito entre elas é frequentemente indefinida. Tanto a disfunção ventricular pode levar à FA como a arritmia pode levar à disfunção ventricular. Indiscutivelmente a associação das duas condições leva a uma realimentação deletéria, com piora progressiva da função ventricular e perpetuação da arritmia. Outro aspecto a ser considerado é que FA paroxística na ausência de cardiopatia responde muito bem ao isolamento das veias pulmonares. Entretanto, isso não é verdade quando se trata de FA de longa duração ou na presença de cardiopatia, sobretudo quando existe insuficiência cardíaca. Acredita-se que a FA piore a função e o rendimento cardíaco através de quatro mecanismos: 1) taquicardiomiopatia; 2) ritmo irregular com variações bruscas do ciclo cardíaco diastólico extremamente curtos alternados com longos; 3) perda da sístole atrial; 4) ativação neuro-humoral vasoconstritoras. Nós reportamos um caso de FA persistente de longa duração com FC controlada, em portador de IC sistólica importante submetido a isolamento das veias pulmonares com recuperação do ritmo sinusal e normalização da função sistólica. RELATO DE CASO Um paciente caucasiano de 54 anos com diagnóstico de IC de etiologia supostamente idiopática em classe funcional II-III portador de FA persistente de longa duração. Sob terapia medicamentosa otimizada, limitada por hipotensão, com carvedilol 18,75 mg bid, enalapril 10 mg bid, espironolactona 25 mg qd, rivaroxabana 20 mg qd, furosemida 40 mg qd, amiodarona 200 mg qd. Falha em CVE com impregnação com amiodarona. Ecocardiograma com AE 54 mm, VE 54-67 mm, FE 39%. RNM cardíaca com ausência de isquemia, ausência de substrato ventricular para IC e FE 32%. Submetido a isolamento das veias pulmonares com retorno a ritmo sinusal transprocedimento. No seguimento clinico foi mantido com mesmo esquema terapêutico, exceto pela amiodarona suprimida no 60° PO. Houve regressão de classe funcional para I, holter com FC média 62 cpm com ausência de taquiarritmias atriais e ecocardiograma de controle (sexto mês de seguimento) demonstrando: AE 47 mm, VE 42-62 mm, FE 60% - detectamos um remodelamento reverso atrial e ventricular esquerdo. CONCLUSÃO Apresentamos uma indicação da ablação de FA pouco frequente, com resultado clinico de substancial melhora (CF III-I) em paciente com FC controlada. Associado detectamos regressão do tamanho atrial esquerdo (13%) associado com expressivo aumento da FEVE no ecocardiograma (35%). O controle da arritmia teve grande impacto na recuperação da função ventricular e na melhora clínica avaliada pela classe funcional.

Autores: ANA CAROLINA CALDARA BARRETO, Ana Carolina Gern Junqueira, Carolina Silva, Tiago Luiz Silvestrini, Rafael de March Ronsoni