XV Congresso Catarinense de Cardiologia

Divisor de Título

Avaliação de fatores pró-aterogênicos, LDL pequena e densa e resistência à insulina, em crianças e adolescentes de acordo com a composição corporal.

Introdução: A dislipidemia é fator de influência reconhecido, determinante e fundamental na progressão da aterosclerose. As alterações lipídicas na infância podem ser de origem primária, porém, muitas vezes elas são secundárias à obesidade, apresentando inclusive subclasses de lipoproteínas mais aterogênicas, como a subfração pequena e densa da LDL (sd-LDL). Nas últimas décadas, houve aumento crescente do diabetes mellitus tipo 2 (DM2) nos jovens, caracterizada pela combinação de resistência à insulina (RI) e secreção inadequada de insulina. A RI pode estar relacionada a fatores genéticos e raciais, à puberdade, à obesidade e obesidade abdominal, à hipertrigliceridemia e à histórico familiar. O excesso de peso na infância e adolescência pode aumentar o risco cardiovascular. Assim, o objetivo do estudo foi avaliar a presença da subfração pequena e densa da LDL (sd-LDL), lipoproteína mais aterogênica, e a resistência à insulina em estudantes com sobrepeso, obesidade ou obesidade abdominal de Botuverá-SC, Brasil. Métodos: Amostras de sangue foram coletadas e as medidas antropométricas foram aferidas em 399 estudantes (7-14 anos, 52% meninas). A quantificação da insulina foi realizada por método de quimiluminescência com enzima marcada. A RI foi identificada pelo modelo de avaliação da homeostase (HOMA-IR = insulina sérica de jejum (?UI/mL) x glicose sérica de jejum (mg/dL)/405)). O tamanho da partícula de LDL foi estimado pela fórmula [LDL (nm) = 26,262 - 0,776 (TG (mmol/L)/HDL-c (mmol/L))] e a concentração de sd-LDL-colesterol foi quantificada após a precipitação seletiva das demais lipoproteínas. Diferenças entre os status nutricionais foram detectadas pelo teste qui-quadrado e ANOVA. P ? 0,05 foi considerado significativo. Resultados: Sobrepeso foi identificado em 13,3% dos estudantes, obesidade em 11,5% e obesidade abdominal em 26,8%. A concentração de LDL-c foi semelhante para os status nutricionais, porém o sd-LDL-c foi de 35, 36, 39 e 50 mg/dL em estudantes eutróficos, com obesidade abdominal, com sobrepeso e obesos, respectivamente (p <0,001). A prevalência de sd-LDL-c maior que 50% do LDL-c e tamanho da LDL ? 25,5 nm foi de 12,3 e 9,5% em eutróficos, respectivamente; 29,9 e 30,9 % em estudantes com obesidade abdominal, 26,4 e 32,1% com sobrepeso e 39,1 e 47,8% em obesos (p <0,001). A concentração de insulina aumentou de 5,0 UI/mL em eutróficos para, respectivamente, 8,7, 7,4 e 9,4 UI/mL em estudantes com obesidade abdominal, sobrepeso e obesidade, (p <0,001). A prevalência de RI foi de 3,7; 15,6; 9,7 e 17,4% em, respectivamente, estudantes eutróficos, com obesidade abdominal, sobrepeso e obesidade (p <0,001). Conclusões: A concentração e prevalência de sd-LDL, insulina e RI estiveram fortemente associados à composição corporal de crianças e adolescentes, incluindo a obesidade abdominal, e aumentam o risco futuro para as doenças cardiovasculares.

Autores: HELOISA PAMPLONA CUNHA, Nilton Rosini, Roberta Caetano , Alexandre Luiz Pereira, Marina Vieira de Oliveira, Marcos José Machado, Edson Luiz da Silva