XV Congresso Catarinense de Cardiologia

Divisor de Título

Terapia combinada de Cardiomiectomia e Ablação por cateter no manejo das taquicardias ventriculares

Introdução: A cardiopatia isquêmica é a principal etiologia das Taquicardias Ventriculares (TV). O cardiodesfibrilador implantável (CDI) é uma possibilidade de terapia, porém, a ablação por cateter vem ganhando importância no manejo das TV. Descrição do caso: RM, 35 anos, com IAM prévio em 2015, é encaminhado ao serviço de arritmologia de um serviço de referência no dia 04/04/2016 por apresentar TV monomórfica sustentada documentada em sua cidade de origem, com o intuito de implantar CDI. Realizado EEF com acesso retroaórtico endocárdico ao VE para mapeamento de áreas de fibrose. Não houve progressão do cateter até a região apico-lateral do VE (região de interesse para ablação). Eco TT demonstrou trombo séssil em região apical do VE (área aneurismática), com áreas calcificadas, medindo 2,7cm X 0,7cm. Entre os dias 08 e 12/04/16 apresentou diversos episódios de TV monomórfica sustentada revertidos com infusão de amiodarona endovenosa. Submetido à miectomia apical com retirada do trombo, seguido de plicatura de septo interventricular. Submetido à novo EEF onde obteve-se fácil indução da TV sustentada (protocolo S1 500ms, S2 320ms e S3 300ms) compatível com a arritmia clínica do paciente. Realizado acesso ao VE através de punção transeptal, sendo encontrado eletrograma médio-diastólico em taquicardia no septo médio. A arritmia foi interrompida com apenas uma aplicação de RF (43 graus, 35 Watts), sendo mantida por 120 segundos e repetida nova aplicação de reforço por mais 90 segundos.Foi realizada extensão das lesões de RF acima e abaixo da lesão original, no septo interventricular. Holter 24h: ritmo sinusal, com 57 extrassístoles ventriculares isoladas. Novo EEF foi realizado no dia 17/05/2016, onde não houve indução de quaisquer taquiarritmias ventriculares com protocolo de estimulação ventricular agressivo. Recebeu alta no dia 19/05/2016, assintomático e sem o implante do CDI, com optimização de medicações prévias. Retornou ao ambulatório de arritmias no dia 21/06/2016, mantendo-se assintomático e sem relatos de taquiarritmias desde a alta. Conclusão: Alguns estudos já compararam o tratamento das TV com CDI e com ablação por cateter. Não encontrou-se diferença de mortalidade entre grupos, porém os pacientes tratados com ablação por cateter possuem maior sobrevida livre de arritmia.

Autores: VINÍCIUS KREPSKY DALMORO, Antônio Alexandre Pinheiro de Carvalho, Matheus Nienkotter Tavares Kuhnen, Hélcio Garcia Nascimento, Andrei Lewandowski, Fabrício Bonotto Mallmann, Alexander Janner Dal Forno, Hugo Leonardi Baldisserotto