XV Congresso Catarinense de Cardiologia

Divisor de Título

Avaliação da Manutenção do Ritmo Sinusal após Cardioversão Elétrica em Pacientes com Fibrilação Atrial

Fundamentos: A Fibrilação Atrial (FA) é a arritmia sustentada mais comum da prática clínica. A incidência na população geral é de 1%, aumentando com o envelhecimento, chegando à 10% nos pacientes com mais de 65 anos. Com isso, o correto manejo da FA é importante e como parte do tratamento, tem-se a cardioversão elétrica (CVE). Métodos: Estudo observacional, retrospectivo, do tipo coorte histórica, que avaliou o prontuário de 90 pacientes com FA submetidos à CVE. Resultados: O tempo médio de acompanhamento foi de 7,45 ± 8,33 meses, sendo que 48,2% dos pacientes mantiveram o ritmo sinusal no final de acompanhamento. A idade média da população foi de 62,63 ± 12,27 anos, a principal comorbidade encontrada foi a hipertensão, 67,8%. Dentre as medicações utilizadas após a CVE, os antiarrítmicos foram as drogas mais prescritas, 69%, sendo a amiodarona a principal delas. Antes da CVE, foram identificados 32,2% dos pacientes que faziam uso de anticoagulantes orais (ACO) e após à CVE a prescrição do ACO foi de 56,3%. O média do diâmetro do átrio esquerdo foi de 4,34cm e a média da fração de ejeção do ventrículo esquerdo foi 51%. Os pacientes do sexo masculino (RR 1,821; p=0,296) e os diabéticos (RR 4,725; p= 0,073) tenderam a manter o ritmo sinusal após o acompanhamento. O tempo de fibrilação atrial foi menor no grupo em ritmo sinusal em comparação ao grupo em fibrilação atrial (30,4 meses vs 46,5 meses, p=0,555). Com relação aos aspectos ecocardiográficos, não foram encontrados dados estatisticamente significativos, porém, os pacientes que mantiveram o ritmo sinusal apresentaram médias menores de diâmetro do átrio esquerdo, 4,3 cm contra 4,47cm no grupo que retornou a FA. Em relação à fração de ejeção do ventrículo esquerdo, a média de FEVE foi maior no grupo que manteve o ritmo sinusal, 54,2% contra 51,58%. Entre as medicações, o grupo que fez uso de amiodarona apresentou chance de 1,5 vezes maior de manter o ritmo sinusal (RR 1,504; IC 0,475 ? 4,759). Dos pacientes que utilizaram betabloqueadores, os que fizeram uso de metoprolol apresentaram chance 3 vezes maior de permanecer em ritmo sinusal comparado ao grupo que não fez uso dessa medicação (RR 3,068; IC 0,542 - 17,372). Houve associação entre o uso de varfarina e a manutenção do ritmo sinusal, p=0,034. Conclusões: Os pacientes do sexo masculino e os diabéticos possuem maior tendência de manter o ritmo sinusal durante o acompanhamento. Também possuem maior chance de permanecer em ritmo sinusal os pacientes com menor tempo de FA, além daqueles com menor DAE e melhor FEVE. Das medicações utilizadas após a CVE, destaca-se a varfarina, que mostrou-se associada de maneira significativa com a manutenção do ritmo sinusal. A amiodarona e o metoprolol são associados com maior chance de permanecer em ritmo sinusal após a CVE.

Autores: VINÍCIUS KREPSKY DALMORO, Antônio Alexandre Pinheiro de Carvalho, Marcos Venício Garcia Joaquim, Fabrício Bonotto Mallmann, Matheus Nienkotter Tavares Kuhnen, Hélcio Garcia Nascimento, Andrei Lewandowski, Alexander Janner Dal Forno, Hugo Leonardi Baldisserotto