XV Congresso Catarinense de Cardiologia

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Estimulação permanente do feixe de His como opção factível para estimulação ventricular - Série de casos

Introdução: A estimulação do ventrículo direito (VD) tem sido a prática de rotina nos casos em que há indicação de estimulação ventricular permanente. No entanto, a ativação miocárdica a partir de eletrodo no VD se dá de maneira não fisiológica, com ativação elétrica assincrônica, e prejuízo da função do ventrículo esquerdo (VE) a longo prazo1. Em sentido oposto, a estimulação direta do feixe de His com captura do sistema de condução cardíaco, em pacientes com intervalo H-V normal, leva a ativação fisiológica e contração sincrônica, preservando a função do VE2,3,. Estudos recentes sustentam que a estimulação hisiana é um procedimento factível e seguro, sem risco adicional quando comparado à estimulação do VD4, com menores taxas de internação por insuficiência cardíaca4 e menor ocorrência de fibrilação atrial5. A captura do feixe de His é considerada seletiva nos casos em que o QRS estimulado tem duração e morfologia idênticos ao QRS original, e há concordância entre os intervalos H-V e estímulo-V6, e não seletiva quando há ausência de intervalo isoelétrico entre o estímulo e o complexo QRS, eletrograma do feixe de His detectado no eletrodo e concordância entre o eixo do QRS estimulado e o do paciente7. Métodos: Todos os pacientes com intervalo HV normal e complexo QRS estreito para os quais havia indicação formal de implante de marca-passo dupla câmara foram submetidos a tentativa de estimulação hisiana em serviço de eletrofisiologia de um hospital de referência entre agosto de 2016 e o início de maio de 2017. Nos casos em que foi possível, após localizado o feixe de His foi introduzido eletrodo Select Secure (3830) por bainha deflectível para seio coronário Attain® 6227 DEF. Foram coletados e descritos dados e exames prévios ao procedimento referentes a cada paciente, informações do procedimento, parâmetros do marca-passo obtidos durante o implante, tempos de procedimento e fluoroscopia e duração do complexo QRS com captura do feixe de His. Resultados: Foram submetidos à tentativa de estimulação hisiana 13 pacientes, sendo possível em 9 pacientes (69%) com QRS médio de 109ms (DP ±52) e fração de ejeção média do VE de 62% (DP ±13). A captura se deu de forma seletiva em 5 pacientes (38%). Nestes a onda R bipolar média foi de 1,9mV (DP ±0,94), com limiar bipolar do feixe de His médio de 1,59 mVx1,0ms (DP ±0,68), e a duração média do QRS estimulado de 88ms (DP ±6). Nos 4 pacientes (31%) em que a estimulação se deu de forma não seletiva a onda R bipolar média foi de 5,25 mV (DP ±2,05), com limiar bipolar do feixe de His médio de 2 mVx1,0ms (DP ±1,36), e a duração média do QRS estimulado de 112ms (DP ±16). Considerando todas as tentativas, o tempo médio de procedimento foi de 118 minutos (DP ±32). com 17 minutos de fluoroscopia (DP ±11). Conclusão: Demonstra-se a factibilidade da técnica com limiares aceitáveis de estimulação, tempos satisfatórios de procedimento e fluoroscopia e resultados imediatos dentro do esperado.

Autores: GUSTAVO DE AZEVEDO MARTINHAGO, Alexander Romeno Janner Dal Forno, Gabriel Odozynski, Andre d'Avila, Andrei Lewandowski, Helcio Garcia Nascimento