XV Congresso Catarinense de Cardiologia

Divisor de Título

ABLAÇÃO DE FIBRILAÇÃO ATRIAL ? PERFIL CLINICO, EFICÁCIA E SEGURANÇA ? ANÁLISE DE 128 CASOS REALIZADOS POR CENTRO ESPECIALIZADO CATARINENSE.

Introdução: A fibrilação atrial (FA) representa a arritmia sustentada mais comum na prática clínica1-3. Devido à baixa eficácia das drogas antiarrítmicas4-6, o tratamento ablativo foi largamente difundido na última década e se afirmou como uma alternativa eficaz e segura. A complexidade do procedimento, as diferentes técnicas, constante absorção de novas tecnologias e a diversidade de pacientes dificultam a reprodução e comparação dos resultados. O objetivo deste estudo foi avaliar a eficácia e os fatores relacionados à recorrência de FA, após ablação por Cateter de Radiofrequência (RF), guiada por mapeamento eletroanatômico. Métodos: Estudo de coorte prospectivo com pacientes consecutivos submetidos ao tratamento de fibrilação atrial por ablação e mapeamento eletroanatômico com procedimentos realizados em Joinville e Itajaí. Foram incluídos os seguintes pacientes: idade acima de 18 anos; portadores de fibrilação atrial paroxística, persistente ou persistente de longa duração; com documentação de FA sintomática. Resultados: Foram incluídos 128 pacientes (idade 53,44 ± 12 anos), 61% homens, CHADSVASC médio = 1,1) que realizaram 141 procedimentos com seguimento - mediana de 22 meses. O diâmetro do átrio esquerdo médio foi de 42,31 e da FEVE de 64,6%. A técnica realizada realizada foi isolamento das veias pulmonares em todos os casos (obtido isolamento elétrico em 97,3% das veias abordadas) e em 8,9% dos casos realizadas ablações adicionais, sendo a mais frequente o bloqueio do istmo cavotricuspideo. A taxa livre de recorrência (FA ou taquicardia atrial sustentada) após o procedimento foi de 75,78%. Os pacientes portadores de fibrilação atrial paroxística apresentaram recidiva de 19,76%, fibrilação atrial persistente e os de longa duração ambos com taxa de 33,33% - não houve diferença estatística entre os grupos (p=0,27). Houveram complicações transprocedimento em 2,34% dos procedimentos que ocorreram nos primeiros 30 casos da serie, 2 derrames pericárdicos e 1 embolia aérea coronariana sem necessidade de intervenção cirúrgica. Em relação a complicações vasculares foi verificado 1 caso de estenose de veia pulmonar, 2 casos de psedoaneurisma e 1 caso de fistula femoral ? conferindo 3,12% adicionais na taxa de complicação na forma pós alta hospitalar. Não temos relatos de acidente vascular cerebral ou acidente vascular transitório na fase aguda e no seguimento clinico da coorte. Conclusão: A ablação de fibrilação atrial guiada por mapeamento eletroanatômico demonstrou ser um procedimento com boa eficácia e com segurança adequada, com taxas obtidas comparadas as descritas na literatura médica.

Autores: ANA CAROLINA CALDARA BARRETO, Ana Carolina Gern Junqueira, Carolina Silva, Tiago Luiz Silvestrini, Rafael de March Ronsoni