XV Congresso Catarinense de Cardiologia

Divisor de Título

Intervenção no estilo de vida promove a redução de fatores de risco cardiometabólicos em jovens com dislipidemia e obesidade abdominal

Introdução: Estima-se que os fatores de risco comportamentais, como inatividade física e alimentação inadequada, possam ser responsáveis por cerca de 80% dos casos de DCV. Estes fatores comportamentais estão associados a quatro alterações metabólicas e/ou fisiológicas essenciais: hipertensão arterial, excesso de peso, hiperglicemia e hiperlipidemia, as quais podem ter efeitos múltiplos. Os longos períodos de incubação de doenças cardiovasculares oferecem oportunidades para o controle de fatores de risco. Intervenções na infância tem maior chance de sucesso, pois os hábitos de vida se sedimentam a medida que são repetidos. Assim, o objetivo deste estudo foi investigar o efeito da atividade física e orientação nutricional sobre os fatores de risco carbiometabolicos de alunos com dislipidemia e/ou obesidade abdominal, na cidade de Guabiruba-SC, Brasil. Métodos: 74 alunos (8-14 anos) foram divididos aleatoriamente em grupo controle (sem intervenção, n = 28, 10,5 ± 2,1 anos), grupo AFN (sob intervenção com atividade física e orientação nutricional, n = 23, 12,0 ± 1,1 anos) ou grupo AF (sob intervenção com atividade física, n = 23, 10,7 ± 1,2 anos). A atividade física ocorreu durante 1 hora, duas vezes por semana e a orientação nutricional foi qualitativa a cada três semanas, totalizando quatro sessões. Amostras de sangue (12h de jejum) foram coletadas para análise laboratorial e marcadores antropométricos foram medidos no início do estudo, após quatro meses de intervenção e três meses após o fim das intervenções. Resultados: Após as intervenções, estudantes dos grupos AFN e AF mostraram redução significativa (p ? 0,05) no Colesterol Total (10,7 e 10,8%, respectivamente), LDL-c (10,4 e 11,2%) e não-HDL-c (9,8 e 10,9%). Não houve variação significativa nas concentrações de triglicerídeos e de sd-LDL-colesterol, bem como nos índices de Castelli I (CT/HDL-c) e de Castelli II (LDL-c/HDL-c), com exceção da redução de 15,4% no índice de Castelli II no grupo AFN. A glicose aumentou 7,5% no grupo controle em relação ao basal (p = 0,056). A resistência à insulina aumentou no grupo AF (71,6%; p <0,01). A dobra cutânea subescapular diminuiu 9,1% (p = 0,006) no grupo AFN e o percentual de gordura corporal reduziu 13,7% neste grupo (p = 0,030). Conclusão: Intervenção com atividades físicas recreativas associadas ao aconselhamento nutricional pode ser estratégia eficaz para reduzir marcadores de risco em crianças e adolescentes com dislipidemia e/ou obesidade abdominal. O baixo custo da intervenção permite a implantação de programas nas escolas para melhorar a qualidade de vida dos estudantes.

Autores: HELOISA PAMPLONA CUNHA, Nilton Rosini, Roberta Caetano , Alexandre Luiz Pereira, Marina Vieira de Oliveira, Marcos José Machado, Edson Luiz da Silva