XV Congresso Catarinense de Cardiologia

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DUPLA PUNÇÃO TRANSEPTAL GUIADA POR FLUOROSCOPIA PARA ABLAÇÃO DE FIBRILAÇÃO ATRIAL: TÉCNICA E SEGURANÇA

A ablação por cateter de radiofreqüência é amplamente realizada como tratamento para fibrilação atrial com eficácia comprovada. A punção transeptal é a abordagem convencional para acesso ao átrio esquerdo. A técnica de ablação atualmente aceita consiste na introdução de 2 cateteres no átrio esquerdo para mapeamento das veias pulmonares e para ablação por radiofrequência. Isto é geralmente obtidoo pela técnica de punção única ou através de dupla cateterização. A segunda punção transseptal pode, teoricamente, suportar riscos adicionais inerentes à punção transeptal, mas em contraponto facilita a manipulação dos cateteres no átrio esquerdo e supostamente minimizar os lesão iatrogenica do septo interatrial. As técnicas de ablação evoluíram e a taxa de complicações foram minimizadas, mas temos poucas publicações utilizando a abordagem de punção transseptal dupla, principalmente quando guiados isoladamente por fluoroscopia. Métodos: Estudo de coorte retrospectivo com pacientes consecutivos submetidos ao tratamento de fibrilação atrial por ablação e mapeamento eletroanatômico, utilizando técnica de dupla punção transeptal, com procedimentos realizados em Joinville e Itajaí. Foram incluídos os seguintes pacientes: idade acima de 18 anos; portadores de fibrilação atrial paroxística, persistente ou persistente de longa duração; com documentação de FA sintomática. Resultados: Foram incluídos 106 pacientes (idade 52,78 ± 12 anos), 60% homens, CHADSVASC médio = 1) que realizaram 114 procedimentos com seguimento - mediana de 22 meses. O diâmetro do átrio esquerdo médio foi de 44,3± 5.7 mm e da FEVE de 64,7±8%. A técnica de dupla punção transeptal foi obtida com sucesso em 99,12% dos casos realizados, ou seja em apenas em 1 paciente não foi obtido as punções guiada por fluoroscopia, sendo necessário o auxilio com ecocardiografia transesofágica. Realizada isolamento anatômico das veias pulmonares em todos os casos (obtido isolamento elétrico em 97,3% das veias abordadas). A taxa livre de recorrência após o primeiro procedimento foi de 75,78% (FA e taquicardia atrial sustentada). Houve apenas uma complicação transprocedimento possivelmente relacionadas com a punção transeptal que foi 1 caso de derrame pericárdico (0,87%). Complicações de acesso vascular foram relatadas em 3 casos (pseudoaneurisma e fistula AV femoral) ? 2,63%. Não temos relatos de acidente vascular cerebral ou acidente vascular transitório na fase aguda da coorte. Conclusão: A técnica de dupla punção transeptal guiada por fluoroscopia permite fácil manipulação do cateter no átrio esquerdo para alcançar o objetivo de sucesso de procedimento agudo na ablação da FA. As complicações relacionadas ao procedimento são raras. No entanto, ela precisa ser solidificada em estudos clínicos randomizados a sua eficácia e segurança em relação a punção única.

Autores: ANA CAROLINA GERN JUNQUEIRA, Ana Carolina Caldara Barreto, Carolina Silva, Tiago Luiz Silvestrini, Rafael de March Ronsoni