XV Congresso Catarinense de Cardiologia

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RABDOMIOSSARCOMA CARDÍACO COM EVOLUÇÃO PARA INSUFICIÊNCIA CARDÍACA REFRATÁRIA: RELATO DE CASO

INTRODUÇÃO Os tumores cardíacos são afecções raras, têm baixas incidência e prevalência, sendo ainda mais raros os primários do coração; o diagnóstico depende de alto grau de suspeita pois suas manifestações podem mimetizar outras doenças cardíacas ou sistêmicas. DESCRIÇÃO Mulher de 38 anos encaminhada ao Hospital Regional Hans Dieter Schmidt após morte súbita abortada por fibrilação ventricular, atendida pelo SAMU; histórico de melanoma cutâneo maligno tratado com exérese há 10 anos, sem sintomas ou doenças cardiológicas prévias. Admitida em ventilação mecânica, estável hemodinamicamente, ECG sinusal com ondas S profundas em derivações precordiais direitas, radiografia torácica normal; cateterismo cardíaco sem doença arterial coronariana; ecocardiograma transtorácico mostrou hipertrofia do septo interventricular (23 mm), sem disfunção ventricular. Primeiramente foi considerado o diagnóstico de miocardiopatia hipertrófica septal assimétrica, submetida a implante de CDI para prevenção secundária. Na evolução passou por diversos atendimentos ambulatoriais e na unidade de internação por tempestade elétrica devido a TV e FV. Realizado tratamento com associação de drogas antiarrítmicas e ajustes nos parâmetros do CDI para melhor controle do quadro - minimizando terapia de choque. Além da arritmia ventricular desenvolveu insuficiência cardíaca com piora funcional progressiva. Novo ecocardiograma mostrou espessura miocárdica assimétrica devido ao septo (53 mm) associado a pequenas áreas hipoecogênicas e de aspecto ovalado em direção principalmente ao VD, entrando neste momento o diagnóstico diferencial com massa tumoral cardíaca. Apresentou pouca resposta à terapia medicamentosa com rápida piora clínica e hemodinâmica pela deterioração progressiva da função biventricular; evoluiu para insuficiência cardíaca classe funcional IV da NYHA. Submetida a biópsia endomiocárdica por cateterismo, porém a análise histológica foi inconclusiva. Entrou em choque cardiogênico complicado por sepse com necessidade de suporte ventilatório e hemodinâmico, hemodiálise, antibioticoterapia. Refratária às terapias empregadas, foi implantado dispositivo de assistência circulatória mecânica - ECMO, como ponte para transplante cardíaco. Transferida ao Hospital Santa Isabel de Blumenau, entrou em lista de prioridade para transplante, submetida ao procedimento no dia seguinte. Após evolução favorável nos primeiros dias de pós-operatório, faleceu por complicações infecciosas no décimo quarto dia após o transplante, pouco mais de um ano desde a primeira manifestação da doença. A análise anatomopatológica do coração confirmou o diagnóstico de rabdomiossacorma. CONCLUSÃO O caso ilustra a dificuldade em esclarecer esta rara doença dentro da cardiologia, apresentando-se como um verdadeiro desafio diagnóstico. É marcada por um desfecho desfavorável na maioria dos casos e reserva uma sobrevida média de poucos meses após o diagnóstico, que com frequência só é confirmado no post-mortem.

Autores: EVERTON MULLER ALVES, Alisson Parrilha Toschi, Everton Varella, Tadeu Fernandes, Frederico Di Giovanni, Marcos Vinicius Claussen Moura, Rafael de March Ronsoni, Ricardo Pereira da Silva, Douglas Muniz Barbosa, Alexandre Gayoso Neves Maia De Oliveira