XV Congresso Catarinense de Cardiologia

Divisor de Título

ANÁLISE RESTROSPECTIVA DO PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DOS PACIENTES SUBMETIDOS A PROCEDIMENTO CIRÚRGICO DE SUBSTITUIÇÃO VALVAR AÓRTICA

Introdução: O aparelho cardíaco valvar é uma estrutura complexa que pode sofrer alterações morfológicas ao longo do tempo. As doenças cardíacas valvares se inserem nesse contexto e são causadas por estenose valvar com obstrução ao fluxo anterógrado ou por insuficiência valvar. O estabelecimento do perfil epidemiológico dos pacientes acometidos pelas patologias valvares, sobretudo as de valva aórtica, consiste em grande valia para a produção médico cientifica atual. Metodologia: Estudo retrospectivo observacional realizado a partir da análise de banco de dados de um serviço de Cirurgia Cardiovascular em Blumenau no período de janeiro de 2014 a dezembro de 2016. Resultados: Foram registrados quarenta e cinco casos de substituição valvar aórtica, sendo que em 51,1% (n=23) a causa cirúrgica era, predominantemente, a estenose da valva aórtica, enquanto em 48,9% (n= 22) o procedimento cirúrgico estava associado à insuficiência valvar aórtica. A idade média dos pacientes foi de 64,5 anos (31-81 anos). O sexo masculino foi predominante em 64,4% (n=29) dos casos, enquanto o feminino em 35,6% (n=16). Embora apenas 13,3% (n=6) apresentasse histórico de queda nos últimos 3 meses, 31,1% (n=14) evidenciasse história ou vigente diagnóstico de endocardite e 26,6% (n=12) dos pacientes estivessem em processo de ressubstituição valvar aórtica, evidenciou-se que 39,1% (n=9) dos pacientes com estenose aórtica também possuíam como diagnóstico insuficiência aórtica, ainda que esta não fosse a causa principal da troca valvar. Além disso, do total de pacientes com insuficiência aórtica, 40,9% (n=9) apresentava insuficiência mitral associada. Os achados mais comuns foram presença de sopro em 84,4% (n=38) e calcificações valvares em 66,6% (n=37). Ao considerar, os graus de insuficiência e estenose aórticas, foi possível constatar que, em relação à insuficiência aórtica, 13,3% (n=6) apresentava grau discreto, 8,9% (n=4) grau moderado, 17,8% (n=8) grau importante, 8,9% (n=4) grau severo de insuficiência. No que se refere à estenose aórtica, 2,2% (n=1) grau discreto, 6,7% (n=3) grau moderado, 33,3% (n=15) grau importante e 8,9% (n=4) grau severo de estenose. Conclusão: Nas análises realizadas, percebe-se a concordância com a literatura da Diretriz Brasileira de Valvopatias ? aumento da incidência concomitante ao aumento da idade, predominância do sexo masculino, estenose valvar aórtica ser mais prevalente que sua insuficiência. Além disso, as reabordagens cirúrgicas refletem a persistência de etiologias como febre reumática e endocardite, além da doença aórtica senil calcificada, intimamente relacionada aos fatores de risco tradicionais para aterosclerose.

Autores: LIZ CAROLINE DE OLIVEIRA CAMILO, Vitor Dias de Almeida, Djalma Luiz Faraco