XV Congresso Catarinense de Cardiologia

Divisor de Título

CK-MB na Unidade de Dor Torácica: ainda devo utilizar?

Introdução: Os marcadores bioquímicos de necrose miocárdica exercem papel fundamental na avaliação de pacientes com dor torácica e suspeita de síndrome coronariana aguda sem supradesnível do segmento ST (SCASSST) (1). A creatinofosfoquinase porção MB (CK-MB) por muitos anos foi o marcador mais empregado para esta finalidade. Entretanto, na busca de marcadores cardíacos com maior sensibilidade e especificidade, as troponinas tornaram-se peça-chave obrigatória no diagnóstico e avaliação de risco de pacientes com suspeita de SCASSST, influenciando na conduta terapêutica empregada (2,3). Apesar das recomendações atuais indicarem o uso das troponinas ultrassensíveis sobre a CKMB, ainda é comum notarmos na prática clínica a utilização simultânea de ambos marcadores para a avaliação de pacientes com dor torácica (4). O objetivo deste estudo é avaliar custo-benefício da utilização da dosagem de CKMB associada à troponina ultrassensível em uma Unidade de Dor Torácica (UDT). Métodos: Os dados foram coletados através de um banco de dados informatizado de pacientes admitidos na UDT de um hospital privado em Blumenau-SC, no período de 01/08/2013 até 28/02/2017. Foram incluídos no estudo os pacientes com diagnóstico final do atendimento na UDT de SCASSST. Foram comparados os resultados qualitativos da troponina ultrassensível e da CKMB massa de até três amostras seriadas coletadas em cada atendimento. Resultados: Foram revisados os dados de 4814 atendimentos realizados neste período. Foram realizados 4756 dosagens de troponina em 3528 pacientes e 1899 dosagens de CKMB em 1199 pacientes. De todos os pacientes atendidos, 337(7,0%) receberam o diagnóstico de SCASSST e foram incluídos na análise. Quarenta e dois (12,4%) pacientes apresentaram resultado de troponina positivo sem alteração de CKMB e somente 3 (0,8%) pacientes apresentaram CKMB positiva sem alteração da troponina. Além disso, nos pacientes que apresentaram positividade tanto para troponina quanto CKMB, 17 pacientes apresentaram troponina positiva em coleta mais precoce do que a CKMB positiva, enquanto somente 3 pacientes apresentaram positividade da CKMB antes da troponina. Conclusão: Em uma unidade de dor torácica com mais de 4800 pacientes atendidos no período de 3 anos e meio, sendo 337 diagnosticados com SCASSST, a dosagem de CKMB apresentou valor clínico adicional aos resultados da troponina em somente 3 pacientes, às custas de quase 1900 exames realizados. Portanto, na suspeita de SCASSST, quando houver disponibilidade de troponina, a utilização rotineira da CKMB traz um grande aumento de custo para o sistema de saúde para um baixíssimo benefício aos pacientes, devendo ser um exame utilizado somente em situações específicas, ou na indisponibilidade do uso da troponina.

Autores: TIAGO MARTINI, Marcelo José Linhares, Julio Cesar Schulz, Humberto Bolognini Tridapalli, Camila Carolina Lenz Welter, Ana Carolina de Linhares