XV Congresso Catarinense de Cardiologia

Divisor de Título

Morte súbita abortada em jovem sem cardiopatia estrutural

Introdução Parada cardiorrespiratória (PCR) sem patologia evidente é incomum, podendo decorrer de cardiomiopatias, condições genéticas e fibrilação ventricular (FV) idiopática. Guidelines do ACC/AHA consideram o estudo eletrofisiológico (EEF) para sobreviventes de PCR inexplicada, exceto em fase precoce de infarto agudo do miocárdio. Na síndrome de Wolff-Parkinson-White (WPW), vias acessórias com períodos refratários curtos podem conduzir rapidamente para os ventrículos sob fibrilação atrial (FA), degenerando em FV e PCR. Há maior risco de morte súbita (MS) entre os sintomáticos, com múltiplas vias acessórias ou com histórico familiar de MS. O tratamento preferencial é a ablação por cateter, eficaz para a maioria das vias acessórias, com baixo risco de complicações. Descrição do caso Paciente do sexo masculino, 24 anos, hígido, sem antecedentes familiares de MS, praticante regular de atividade física. Apresentou síncope em repouso, seguido de PCR, sendo iniciadas manobras de reanimação cardiopulmonar (RCP), até a chegada de auxílio avançado. Na admissão: sedado, intubado, SO2 98%; PA 70x50 mmHg; FC 52 bpm; exame físico normal. Eletrocardiograma (ECG) na admissão sem particularidades. Evoluiu com infecção pulmonar, sendo submetido a tomografia de tórax e crânio, punção liquórica, ecocardiograma transtorácico e ressonância magnética de coração normais. Transferido ao Instituto de Cardiologia de SC sem sequelas, para investigação. Realizado Holter 24h normal, sendo submetido a EFF que revelou duas vias acessórias na região póstero-lateral do anel mitral, inaparentes (desmascaradas por estimulação atrial esquerda); induzida taquicardia atrioventricular ortodrômica mediada por uma das vias; a ablação das duas vias foi realizada com sucesso, por acesso transeptal. Conclusões ECG normal não exclui vias acessórias inaparentes. A provável causa da PCR foi um episódio de FA conduzida pela via acessória, evoluindo com FV. O paciente teve excelente evolução após ablação, recebendo alta assintomático para seguimento ambulatorial. O EEF deve sempre ser considerado em situações de MS inexplicada.

Autores: MAYARA BELLATO, Fabrício Bonotto Mallmann, Helcio Garcia Nascimento, Alexander Dal Forno, Andrei Lewandowski, Vanieli Pereira Camargo