XV Congresso Catarinense de Cardiologia

Divisor de Título

O AUMENTO DE PESO COMO FATOR DE RISCO PARA DESENVOLVIMENTO DE HIPERTENSÃO ARTERIAL EM ESCOLARES DE BLUMENAU- SC.

INTRODUÇÃO: É conhecida a crescente prevalência de doenças crônicas não-transmissíveis nas populações, entre estas a obesidade e a hipertensão arterial (HA), inclusive na criança e no adolescente. A obesidade é apontada como um dos principais fatores de risco para HA, na qual estudos em animais e humanos demonstraram o potencial do ganho de peso em elevar a pressão arterial e ainda, estudos epidemiológicos relatam aumentos de três a oito vezes na frequência de HA entre indivíduos obesos. Considerando a população hipertensa, a prevalência de obesidade é consideravelmente maior quando comparada aos normotensos. MÉTODOS: Nesse contexto, buscou-se, através do Programa Saúde na Escola, preconizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS): uma parceria entre Estratégia da Saúde da Família e Propet- Saúde de Blumenau, determinar uma possível associação entre a prevalência de sobrepeso e obesidade de escolares e a pressão arterial (PA) alta. Para isso, em visitas pré-agendadas com o diretor, foi mensurada a pressão arterial, bem como calculado o índice de massa corporal (IMC) de 267 crianças de uma Escola Pública de Blumenau no ano de 2016, matriculadas nas turmas de 3º ao 9º ano por acadêmicos de Medicina. O método utilizado para medida de pressão arterial foi o auscultatório, com uso de manguitos apropriados para cada escolar, baseados no Caderno de Atenção Básica ? Saúde na Escola, classificadas pelas tabelas de PA de acordo com idade, altura ? previamente medida - e sexo. Foram mensurados peso e altura das crianças para cálculos de seus IMCs, na qual definiu-se sobrepeso e obesidade como índice de massa corpórea (IMC) maior ou igual ao percentil 85 e 97, respectivamente, utilizando as curvas de IMC preconizadas pelo Ministério da Saúde. RESULTADOS: Dentre a totalidade dos alunos (267 crianças), 24 deles (aproximadamente 9%) apresentaram percentis de PA sistólica e/ou diastólica acima de 90, níveis considerados critério de suspeita para HAS. De acordo com o seu ano escolar, divididos entre o 3º ano, 4º ano, 5º ano, 6º ano, 7º ano, 8º ano e 9º ano o número de crianças que apresentaram essas anormalidades na mensuração, respectivamente, foram duas (8.3%), duas (8.3%), duas (8.3%), quatro (16.6%), sete (29.1%), cinco (20.8%), duas (8,3%). Ademais, dessas 24 crianças, perante a classificação do IMC, 9 (37.5%) foram classificadas com obesidade, 4 (16.6%) com sobrepeso, 10 (41.6%) com peso normal e 1 (4.1%) abaixo do peso. CONCLUSÕES: Confirma-se que essas 24 crianças com suspeita de HAS, 54,1% apresentaram níveis de IMC acima do normal. Isso é preocupante, não só pelo fato da obesidade ser um problema emergente na população infantil, mas também por impactar na saúde das crianças, visto que mais da metade das crianças com alteração de PA tem como fator de risco o aumento de peso. Esse é um fator ambiental reversível que deve ser trabalhado com os familiares, escola e alunos para evitar o desenvolvimento de doenças cardíacas futuramente.

Autores: JULIANA CECCONELLO, Eduarda Felsky, Francielly Carine Marques Lauer, Bruno Dalri Menestrina, Karla Ferreira Rodrigues, Miria de Souza Effting