XV Congresso Catarinense de Cardiologia

Divisor de Título

ANÁLISE ECOCARDIOGRÁFICA DO STRAIN BIDIMENSIONAL LONGITUDINAL MÉDIO DO VENTRÍCULO ESQUERDO DE ACORDO COM A CLASSIFICAÇÃO ELETROCARDIOGRÁFICA DE SEATTLE EM JOGADORES DE FUTEBOL PROFISSIONAL.

Introdução: O strain bidimensional longitudinal médio (st2D-L) do ventrículo esquerdo é uma técnica ecocardiográfica que avalia de maneira objetiva o grau de deformação do miocárdio, podendo indicar precocemente alguma cardiopatia. O treinamento físico intenso e contínuo pode determinar adaptações fisiológicas que podem mimetizar doenças cardíacas. Nas últimas décadas a morte súbita em atletas têm chamado a atenção da mídia e da comunidade científica e a melhor forma de prevenção até o momento é a detecção precoce de cardiopatias nessa população. Contudo, existe ainda uma lacuna na literatura relacionada ao melhor método para detecção de cardiopatia precoce em atletas. Nesse sentido, o objetivo deste estudo foi descrever o valor do st2D-L médio em jogadores de futebol de um time profissional comparando o resultado do grupo com alterações fisiológicas no eletrocardiograma (EF) com o grupo com alterações que necessitam investigação adicional (ENF), de acordo com os critérios de Seattle. Materiais e Métodos: Foram coletados dados da avaliação pré-participação de jogadores de um time da primeira divisão do campeonato catarinense no ano de 2016. Todos os atletas passaram pela avaliação com história clínica, exame físico, eletrocardiograma de repouso, teste cardiopulmonar de exercício e ecocardiograma com análise da média do st2D-L através do software QLAB da Phillips, nos 3 cortes apicais, analisando os 18 segmentos durante o ciclo cardíaco. As bordas foram adquiridas partir das imagens bidimensionais, para aquelas que não foram automaticamente rastreadas foi realizado o ajuste manual. Os dados categóricos foram apresentados em porcentagem e os dados contínuos com média e desvio padrão. Para análise estatística do st2D-L médio de acordo com a classificação de Seattle, foi utilizado o teste t de student sendo adotado o nível de significância de p<0,05. A análise de dados foi realizada a partir do software Biostat 5.0. Resultados: Dos 49 atletas avaliados, 47 foram incluídos e entraram para a análise por apresentarem todos os dados disponíveis. Quanto ao perfil, a maioria (66%) era de etnia não caucasiana, com idade média de 23,4± 5,1 anos (17-41 anos), altura de 180,2±7,8cm e peso de 77,2±9Kg. Quanto a avaliação clínica, apresentaram o VO2 pico 54,4±6,0 ml.kg.min-1, diâmetro diastólico do ventrículo esquerdo de 52,6±3,5mm e fração de ejeção do ventrículo esquerdo de 60,5±3,5%. Apenas 6 atletas (12,7%) apresentaram ENF. O st2D-L médio geral foi -18,9 ±2,1 (EF= -18,9±2,1; ENF= -19,5±2,2), não havendo diferença estatística entre o st2D-L dos grupos (p = 0,4916). Conclusão: O grupo estudado apresentou valores de st2D-L considerados normais para atletas. Não houve significância estatística quando classificados pelos critérios eletrocardiográficos de Seattle.

Autores: ROBERTO PEREIRA WALTRICK, Kaius Munhoz de Paula , Tarso Waltrick , Leticia dos Santos Coutinho, Natalia Veronez da Cunha, karla Fabiana Goessler