XV Congresso Catarinense de Cardiologia

Divisor de Título

A REESTRATIFICACAO DE RISCO NO NONAGENARIO POR MEIO DO EC CORONARIANO

Introdução: Um dos mais proeminentes trabalhos sobre características da doença cardiovascular sub-clinica é o Multi-Ethnic Study of Atherosclerosis (MESA) que investigou calcificação de artérias coronárias como preditor de eventos cardiovasculares maiores (ECVM) em indivíduos sem doença cardiovascular, com follow-up de 3,9 anos. Subsequentes trabalhos tem demonstrado que o Escore de Cálcio Coronário (EC) igual a zero em indivíduos assintomáticos correlacionam-se com risco muito baixo para ECVM. Uma vez que o ensaio MESA incluiu indivíduos de 45 a 85 anos e os achados de estudos subsequentes demonstram o potencial da reestratificação de indivíduos de alto risco cardiovascular particularmente naqueles grupos de alto risco baseados puramente na idade avançada, relatamos um caso de paciente nonagenário reestratificado para baixo risco cardiovascular através do EC. Relato de Caso: O.B. 94 anos, sexo masculino, sem dor, desconforto torácico, NYHA II, referia dispnéia aos grandes esforços e cansaço aos moderados, nega palpitações, tonturas e cefaléia. Histórico de síncope com características vagais. Afirma HAS há 6 anos, nega DM, dislipidemia e tabagismo atual. Ex tabagista com carga tabágica de 67 anos/maço. Nega história familiar para doença cardiovascular. Sedentário, etilismo social. Sem internações recentes. Peso 53,8 kg, altura 1,61m, IMC 21 kg/m2. PA 160x80. Ausculta cardíaca sopro sistólico em foco mitral moderado, ictus desviado para esquerda e para baixo. Cintura 87 cm, quadril 94 cm. ECG com ritmo sinusal (RS), FC 85 bpm, BDAS. Solicitado laboratório, ecocardiograma (ECO) e EC. Mantido medicação de uso (Enalapril 10mg, 2 vezes ao dia), iniciado atenolol e anlodipino. No retorno melhora nos níveis pressóricos, ECO com fração de ejeção ventricular 79%, redução da complacência do ventrículo esquerdo, insuficiência tricúspide, mitral e aórtica leve. Perfil lipídico favorável, creatinina 1.6, demais exames normais. EC de zero. Cinco anos após, nova rotina para reestratificação do risco cardiovascular, manteve o perfil clinico e laboratorial bem dos exames de imagem. Um ano após, retorna para consulta, desta vez apresenta-se hipertenso PA 180x70 mmHg. ECG com RS, FC 57 bpm, BDAS e ESV isolada. Aumento de 1,2 kg, nega dor precordial e dispnéia. Novo EC com resultado de 1 (DA 1). Percentil 1, idade arterial de 44 anos. Corrige o risco MESA 14% para 4%. Conclusão: Estudos recentes como o publicado em março de 2017 no jornal europeu de cardiologia que avaliou a prevalência de doença coronariana obstrutiva em pacientes com angina estável e EC zero, demonstram que com EC zero, a calcificação de artérias coronárias é rara e o prognóstico a longo prazo é excelente, independentemente se placas de ateroma não calcificadas sejam identidentificadas. Assim destacamos um paciente nonagenário que obteve reestratificação do risco cardiovascular para baixo risco quando comparado naquele baseado apenas na idade ou através de algoritmos de risco conhecidos.

Autores: GABRIEL SANTOS DA SILVA, Gabriel Zanette Naspolini, Samuel Cesconetto, Franco Aguilar Salazar, Christian da Silva Dal Pont