XV Congresso Catarinense de Cardiologia

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ANGIOPLASTIA PRIMÁRIA EM CORONÁRIA CIRCUNFLEXA DE ORIGEM ANÔMALA EM UM PACIENTE APÓS SÍNDROME CORONARIANA AGUDA: RELATO DE CASO.

As síndromes coronarianas agudas (SCA) causam grande morbimortalidade na sociedade atual e dentre essas as SCA sem supra de ST representam 70% dos casos. Por outro lado, coronárias anômalas são encontradas em apenas 0,3% a 5,6% da população. ¹ ² ³A artéria circunflexa (CX) é a que mais apresenta origem anômala, ocorrendo em 0,32% a 0,67%. ² Esse é um assunto pouco estudado na cardiologia ³. As coronárias anômalas não são mais suscetíveis a doença obstrutiva aterosclerótica do que os segmentos normais. ² Há 3 tipos de tratamento (TTO): conservador, angioplastia com stent e TTO cirúrgico. Nas anomalias de origem coronariana direita (CD), o TTO é controverso e costuma ser menos agressivo, com estudos demonstrando evolução favorável sem cirurgia.² Relatamos um caso de paciente com CX anômala e doença coronariana aterosclerótica que necessitou revascularização devido a SCA. Homem, 69 anos, internou com falta de ar e febre há 1 dia. Hipertenso, tabagista 100 maços/ano e teve AVE em 2016 com paralisia facial direita. Na chegada ECG em ritmo sinusal, sem alterações de ST mas a troponina alterou (0,450->1,09 em 6h) (TIMI Risk 4 ). Ausculta cardíaca : ritmo regular, bulhas normofonéticas e sopro sistólico em foco mitral 3+/6+, sem irradiação. Ausculta pulmonar sem alterações. Membros inferiores com hiperemia bilateral. Foi iniciada levofloxacina empírica e manejo para SCASSST. No 2º dia teve piora do estado geral e alteração dinâmica do ECG (supra de ST menor de 1mm de V1 a V3), sendo encaminhado p/ hemodinâmica. O cateterismo mostrou CD com lesão 70% proximal e 30 % distal, CX com origem anômala em CD com lesão 80% proximal e 95% medial, Mg 2 lesão 99%. DA com lesão 60% medial após Dg1 e 90% após Dg2. O ecocardiograma TT mostrou FEVE 69%, sem alterações segmentares, dupla disfunção mitral e aórtica discretas. Foi definido TTO clínico das lesões de DA devido ao fino calibre e lesões difusas, sendo optado por angioplastia em CD e CX, já que o Syntax era baixo (8) e a anomalia poderia dificultar a cirurgia. O paciente ficou estável na internação, usando clindamicina para tratamento de erisipela. Realizado em 14/03/2017 angioplastia radial com pré-dilatação com balão 2,0x15mm em CX e implante de stent farmacológico 2,25x13mm em segmento distal e 2,5x18mm em segmento proximal, além de pós-dilatação com balão 2,75x15mm. Após, 1 stent convencional 4,0x10mm em CD. Fluxo TIMI III. O paciente segue acompanhamento ambulatorial, assintomático. Este caso é relevante porque há poucos casos de angioplastia em coronárias de origem anômala devido a SCA na literatura. Foram usados stents farmacológicos na CX por ser de fino calibre (até 2,5mm ) e convencional na CD por ser lesão curta e com vaso calibroso (compatível com os critérios usados no SUS). Sendo um tema pouco abordado, é interessante estimular a discussão do assunto e a abordagem de tratamentos cada vez menos invasivos.

Autores: VANIELI PEREIRA CAMARGO, Tammuz Fattah, Luis Sergio Carvalho Luciano, Ozir Miguel Londero Filho, Mayara Bellato, Hugo Leonardi Baldisserotto