XV Congresso Catarinense de Cardiologia

Divisor de Título

Relato de caso: diagnóstico de Síndrome Coronariana Aguda sem Supra ST em paciente adulto com Ventrículo Único e Transposição de Grandes Artérias.

INTRODUÇÃO As cardiopatias congênitas apresentam prevalência de 4,8/1.000 na América Latina, 5% a 7% dos quais apresentam transposição das grandes artérias (TGA), cuja é mais mais prevalente no sexo masculino (3:1). Na TGA há a inversão na topografia da artéria aorta e com a artéria pulmonar. É necessário, para a viabilização do feto, mistura do sangue, realizado cirurgicamente ou não. Ventrículo único (VU) é quando uma única cavidade ventricular recebe duas valvas atrioventriculares ou uma valva atrioventricular comum. Ocorre em 1,33% de todas as cardiopatias congênitas, é prevalente no sexo masculino e em maioria um ventrículo morfologicamente esquerdo. Sem cirurgia, mais de 50% dos pacientes morrem antes do primeiro ano de vida. DESCRIÇÃO DO CASO Paciente do sexo masculino, 54 anos, diagnóstico prévio de VU, associado à comunicação interatrial (CIA) e TGA, acompanhado periodicamente por especialista. Há histórico de endocardite infecciosa aos 26 anos. Internou no dia 27/04/2017 no Instituto de Cardiologia de Porto Alegre com queixa de dor torácica irradiada para membro superior esquerdo e mandíbula, em atividade rotineira. Apresentou-se com Síndrome Coronariana Aguda sem Supra ST. O manejo do caso foi elaborado com base no Escore de TIMI, que busca estratificar o risco do paciente evoluir com morte, novo infarto ou recorrente, dor refratária com necessidade de revascularização em 14 dias. No entanto o paciente foi classificado como baixo risco iniciando-se terapia com AAS, Clopidogrel e Enoxaparina, após administração de nitrato pra alivio dos sintomas. Passado atendimento inicial o paciente encontrou-se estável e assintomático sem novos episódios de dor torácica. O Ecocardiograma Transtorácico apresentou VU com fração de ejeção preservada, dupla via de entrada, posição ventrículo-arterial do tipo TGV. Evidenciou átrios aumentados com presença de CIA em região baixa do septo com fluxo basal da esquerda para direita. Ausência de massas endocavitárias e presença de estenose valvar pulmonar com refluxo regurgitante em 93mmHg. Cateterismo e Cineangiocardiografia feitos no dia 02/05/2017 afastaram lesões ou obstruções coronarianas. Indicado tratamento cirúrgico de valva pulmonar devido estenose importante pela doença de base. Paciente estável liberado com orientações sobre a gravidade do caso e indicado retorno imediato em caso de emergência. CONCLUSÃO Um paciente não operado que possui um VU do tipo esquerdo associado com estenose pulmonar protege o leito vascular. A associação, permitiu o paciente chegar a idades relativamente elevadas com poucos sintomas. A comunicação entre o sangue sistêmico e o pulmonar permite a mistura sanguínea, o que atenua a hipóxia, como na inexistência de septo interventricular. No caso raro descrito, a TGA em associação com VU e CIA permite a mistura do sangue arterial e venoso sem causar sérias complicações, prolongando a sobrevida do paciente.

Autores: HENRIQUE CÉSAR BISCHOFF, Fernando Baldissera Piovesan, Daniel Bischoff, Hélio Vida Cassi Junior